28 de setembro de 2006

Nota Final

Tento imaginar o que ele pensa:
Despeço-me da conjuntura. Estruturalmente continuo por aqui. Mais um tempo, não muito: Um Homem não se desapega assim de um sítio onde esteve uma vida.
Preciso de tempo para me esquecer da rotina que aprendi a cumprir. Habituei-me a ir, a estar, a voltar. A sentir-me em casa e a andar perdido.
Achei-me capaz de mudar o mundo, depois tentei mudar alguém e passei o restante a procurar perceber-me a mim próprio. Mudar-me (riso abafado). Mudou-me antes o tempo. Carregou-me de passado.
Se hoje me esqueço de quem fui é porque não aguento o peso de tantas luas.
Não sou nostálgico. Não sou, mesmo. Mas compreendam, conjunturalmente já nada me prende: Só as recordações. As que restam, claro.
Muito mais do que os livros que li, os filmes que vi, as músicas que ouvi, a terra que toquei, sou hoje os dias que vivi (sem os livros, os filmes, a música e a terra), os milhares de vezes que abri os olhos, fechei-os e voltei a abri-los. Nunca, até agora, que sou só estrutura, me preocupei com a possibilidade de adormecer e perder... perder “amanhã”.
Deambulei.
Este é o sítio de onde nunca saí: A vida. A minha vida foi (é?) o meu sítio e é nela que me sinto e que sou, talvez pela última vez.

Foto: Tirada em Peniche, em Abril deste ano.


26 de setembro de 2006

Oh Caetano...


"Ejaculação é quando o macho de várias espécies animais, principalmente mamíferos, liberam seus espermatozóides para eventualmente fecundar uma fêmea. A ejaculação em algumas espécies inclusive a espécie humana pode ou não ser acompanhada por um orgasmo. Normalmente o homem ejacula 3 a 4 jactos de esperma a 45Km/h."*


Quando ouvirem o último álbum do Caetano Veloso (faixa 10) vão perceber.



* Wikipedia

Manchete do dia


"Sócrates gasta 219 mil ao telemóvel" é a manchete do Correio da Manhã que refere que o orçamento do gabinete do primeiro-ministro para 2006 é justificado por as chamadas móveis serem um "instrumento de trabalho".
Comentário do autor do blog: Este senhor deve ter tantos pontos!

118 minutos de cinema


Voltar

Título original: Volver
Realização: Pedro Almodóvar
Intérpretes: Penélope Cruz, Carmen Maura, Lola Dueñas

Espanha, 2006

Comentário: Volver não é, de longe, o melhor filme de Almodóvar, mas depois de Tudo Sobre a Minha Mãe a fasquia está simplesmente alta demais. Do realizador espanhol esperamos sempre alguma promiscuidade e nesse aspecto Voltar corresponde. Falta-lhe alguma ritmo e um maior fio condutor: A afirmação do essencial do enredo é feita tardiamente e a pergunta "mas isto é sobre o quê?" acaba por ser respondida demasiado perto do final. Um filme que vale a pena ser visto, por ser de quem é (com a garantia de boa imagem, boa realização e detalhes de génio, que encerram em si uma beleza que passará despercebida a quem veja Almodóvar como um realizador vulgar) e por uma interpretação simplesmente fantástica de Penelope Cruz - que actriz tu me saíste (andavas tão perdida, filha!).
Pedro Almodóvar é um director de quem é preciso saber-se gostar, mas depois de apreendida a lição, dificilmente alguém se sente defraudado.

Condecoração


A administração deste blog não pode deixar de assinalar a passagem por este modesto espaço do visitante 2000. Foi na última noite e não doeu.

25 de setembro de 2006

23 de setembro de 2006

22 de setembro de 2006

Loirice


Os judeus comemoram hoje a passagem para o ano 5767. É bom. Podemos aproveitar a experiência e assim saber como é que vai ser quando lá chegarmos.