5 de abril de 2007

Ponte(s)

Devo confessar que tenho alguma dificuldade em perceber esta história das tolerâncias de ponto, provavelmente porque a mim, pobre trabalhador do sector privado, nunca o big boss disse: "Rapazes, todos para casa. A tarde é vossa!". Não disse e não vai dizer.

Sei que há empresas em que é prática ocasional, mas também sei que em algumas delas as tolerências de ponto são depois descontadas nos dias de férias dos trabalhadores, mesmo que à revelia da vontade do empregado... e o Governo vai contratar 100 inspectores gerais do trabalho.

Agora, frequentes, frequentes são as chamadas "pontes" na função pública. Alguém explique aqui ao rapaz: Se os feriados são num dia, por que raio é que o Governo tem uma espécie de dever de generosidade? Porquê?

Esta semana há feriado (Sexta-feira Santa), certo? Certo. Ora, se é feriado sexta-feira, porque tromba de água é que a administração pública tem direito a tolerância de ponto hoje à tarde? E depois, a ser não pelo facto do Executivo ficar com um argumento para atirar à cara daqueles sindicalistas (sempre os mesmos) idiotas na próxima ronda negocial, qual é mesmo a vantagem pública de uma tolerância de ponto? Fazer o resto do país perceber que os funcionários públicos são mesmo uma cambada de preguiçosos que faz de tudo, para nada fazer?

Por outro lado, onde está um delegado sindical que incite os trabalhadores que representa a contrariarem as indicações da tutela, numa de: "aqui trabalha-se, logo, aqui não há ponte para ninguém, a bem da causa comum!"?

Esperem... as tolerâncias são um direito adquirido, é isso?





2 de abril de 2007

História de uma noite de Globos

Diz que ontem foi noite de Globos de Ouro.

Logo à partida, a falta de originalidade na escolha do nome nunca deixou antever um grande futuro para esta espécie de coisa nenhuma, à portuguesa.

A Bárbara Guimarães, com a aquela sua bocarra que começa no joelho e acaba no cotovelo do Carrilho, pirosa que só ela, passou o tempo todo sem saber o que fazer às mãos, ora aqui, ora ali, ora no raio que a parta, mais aqueles dedos feios.

Os pivots, mal escritos que sei lá, cheios de piadinhas forçadas (às quais ninguém reagia). A Eunice Muñoz velhinha que só ela, sem saber ao certo para onde olhar: “ah é para ali”. O Herman muito chateado, a dizer que a mãe mandava dizer, aquilo que quem disse foi ele. A brasileira das novelas muito feia e com cara de parva e a outra brasileirinha, que de tão linda ficava a destoar numa sala cheia de abutres.

Abutres, sim. Alguém reparou naquelas caras? Assim, badalhoquinhas. Muita dor de corno, muito desassossego púbico, muito desatino mamário.

Já agora, um beijinho para as criancinhas da Luciana Abreu, de quem eu esperava um “Frederico, possui-me à bruta e possui-me já”. Luci, baby, estás-me a falhar.


30 de março de 2007

100 minutos de cinema

Mr. Bean em Férias

Nome original: Mr. Bean's Holiday
Realizador: Steve Bendelack
Intérpretes: Rowan Atkinson, Max Baldry, Emma de Caunes

Reino Unido, 2007

Comentário: Bean, Mr. Bean é premiado com umas tentadoras férias no sol do Sul de França. Deliciado com a ideia, o mais desastrado personagem da britcom, tenta, a todo o custo, chegar ao destino, mas as coisas não lhe correm bem.
Sou suspeito, porque desde sempre que assumo o meu aplauso ao talento de Rowan Atkinson, mas creio não mentir ao afirmar que Bean é uma daquelas figuras que não morre nunca, mesmo depois do actor inglês ter afirmado que esta foi, provavelmente, a última vez que vestiu a pele do desastrado e antiquado personagem.
O filme não tem, não poderia ter, o encanto da série: é diferente condensar humor em 20 minutos, ou distribui-lo por hora e meia, mas é uma comédia que o bom senso diz que deve ser vista, por ser diferente, por ser inglesa, por ser Bean.

29 de março de 2007

Blue pills

Um contabilista que conheço mostrou-me ontem uma curiosa relação de talões de farmácia que um cliente seu apresentou como despesas para a declaração anual de rendimentos.

Organizados por ordem cronológica (do mais antigo para o mais recente) os recibos mostravam a seguinte sequência de aquisições:

- Preservativos 6 unidades

- Viagra 50mg

- Lubrificante 150ml

- Viagra 100mg

- Teste de gravidez


A ordem das coisas é curiosa, só por si, mas procurei estabelecer aqui uma relação e calculo que tenha acontecido mais ou menos assim:

"Ah, que logo vai ser uma festa. Oh meu Deus, não cresce, não cresce. Ah, agora com os comprimidos é que vai ser. Oh meu Deus, não está a resultar, talvez com um lubrificante dê para fazer o serviço sem grande esforço. Ah maravilha, Viagra 100mg? agora sim, que tigre que eu sou. Oh Diabo! Olhe, um teste de gravidez que aquilo foi(-lhe) ao sítio."

From China, with love

Por duas vezes esta semana recebi convites para adicionar à minha lista de contactos do MSN dois e-mails que desconhecia por completo.

Um dos quais dizia respeito a uma Chau Chau que faz gestão de contas e que me perguntou (em inglês) se eu queria investir na China.

O outro era de um empresário Chop Soy que me enviou links para o seu catálogo de produtos contrafeitos.

Deprendo daqui que a lógica é a seguinte: Ah a ASAE apreende tudo o que nós mandamos para aí em contentores? Então levem lá com esta encomenda virtual. Pimba!

Escrevam isto: Com a quantidade de coisas que comemos, temos, defecamos e sei lá mais o quê feitas na China, qualquer dia nascemos todos amarelos, pequeninos e com cara de superfície frontal.
*


*E o que me preocupa mais é o facto dos 'Chinas' terem fama de ter aquela coisa (aquela...) pequenina. Espero que venham sem efeitos retroactivos.

27 de março de 2007

Porquê o espanto?

Conversava esta tarde com uma colega jornalista prestes a voltar ao desemprego (depois de por lá ter estado vários meses) e dei por mim a concluir que o post de ontem é absolutamente desnecessário: Qual é o espanto de termos um ditador como Grande Português, se, no fundo, o país está cheio deles... basta olhar para os conselhos de administração das empresas.

26 de março de 2007

A propósito de Salazar

Para mim não deixa de ser curioso que quando é pedida a opinião dos portugueses sobre quem foi o maior português de sempre, os portugueses votem num homem que não deixava ninguém ter opinião.

Somos um povo que merece uma Sabrina, um Festival da Canção, uma Merche e um Goucha. Aliás, isto não é um país: é um bairro social.

Venham lá os Salazares e já agoras as labregas de bigode e os saloios com a unhaca. E não me venham com a velha teoria do "a democracia está doente", porque por mais doente que esteja (e não está) ela é um valor que não pode ser posto em causa.

24 de março de 2007

Percebemos...

Que a nossa condição social actual é eterna, quando sonhamos que nos sairam 1500 euros no euromilhões e que ainda por cima temos que os dividir com outra pessoa.

Com um jackpot capaz de nos colocar na lista dos "mais ricos", não, sonhamos com 1500 euros.

É que pobre que é pobre até o é nos sonhos!

22 de março de 2007

OTários


Mas 'proqué' que ninguém me explica como raio vão ser gastos não sei quantos milhões de trintões de euros naquela coisa... ai... o aeroporto. Quer dizer, a OTA fica quase tão longe como as Berlengas (ainda que com menos gaivotas, sim) e diz que depois de pronto o aeroporto não se pode expandir.

Então, mas então... porquê? Eu cá acho acho que podiam aproveitar as maternidades e os SAP's que vão encerrar e faziam uma espécia de aeroporto espartilhado. Na Mealhada punham o check in, na Amora o free shop e em Corroios as portas de embarque. Depois criavam uma linha de TGV para unir todos estes pontos à pista, que ficaria para aí na A8 (ao que parece as pistas de aviões têm um bom piso... melhor, pelo menos, que o da auto-estrada do Oeste).

Só vantagens... davam mais dinheiro à Teixeira Duarte ou à Somague e resolviam de vez os problemas da ex-Sorefame, na Amadora (que eu já não posso ver aquele sindicalista, que afinal também é deputado municipal), ao porem os ex-futuros-ex-trabalhadores a tirar os parafusos do separador central da nova pista.

21 de março de 2007

Lá no liceu

A convite de um grupo de alunos fui hoje de manhã a uma escola secundária: sim, dessas mesmo onde não há mais de 10 estudantes que não têm um ar nojentinho, de quem só se sente bem se tiver 10 kg de bijuteria (no caso delas) ou umas calças tão largas nos joelhos como na peida (no caso deles).

Em todo o caso, lá fui eu falar de jornalismo.

Porque sou repetende nesta elevada arte de destruir sonhos de adolescentes, não pude deixar os meus créditos por mãos alheias. Tracei um cenário negro da coisa. Ridicularizei patrões e blasfemei contra as universidades. Calculo que tenha tido sucesso, já que os 'carrapatinhos' riram muito... parvos!

Reparei especialmente no grupo de "yo man, tasse?" que se sentou no fundo da sala e não pude deixar de reparar em como passaram aqueles 50 minutos a escavacar a cadeira e a trocar ideias entre si... provavelmente das suas ficcionadas peripécias sexuais. Na oportunidade dei graças a Deus por nunca ter sido assim.

A dada altura não me contive: "Oh meus... eu sei que a vossa vida sexual inventada deve ser mais interessante do que aquilo que eu estou para aqui a dizer, mas tipo, calem-se que estes são os meus 15 minutos de fama". Caso ou acaso... calaram-se.