23 de agosto de 2007

Dia de Surf

Foi pegar nesta família de pinguins e rumar ao Cinebolso...hum, perdão, ao Rio Sul.

Para lá do óbvio (ya meu, tipo, o filme é mesmo, tipo, ya, tipo bueda fixe pá, tipo memos bué curtido, tipo), descobri que este (o da esquerda)...

... é igual ao meu patrão. Só que mais bonito.

16 de agosto de 2007

Do Algarve e de quem não vive sem ele

Como é que alguém consegue passar 20 anos da sua vida tendo no destino de férias um factor comum a todos eles?

O Algarve é para muitos portugueses o solitário destino com o qual se vão cruzar em toda a sua vida adulta. Para a generalidade dos medianos de classe, o extremo Sul do país é o único sítio que conhecem para lá dos 50 km de raio a partir do ponto onde definham o resto do ano.

Para muitos desses infelizes, tristes por não saberem que existe mais do que caos urbano, confusão e Côte d'Azur de 4 categoria, palavras como Alentejo ou Minho soam estranho. Já ouviram falar do Alentejo mas o máximo que conhecem é a área de serviço de Grândola. Minho não é desconhecido de todo, apesar de de nunca terem passado de Vila Franca.

Custa-me entender que espécie de prazer alguém pode encontrar em dispender 15 dias e muitos euros num lugar apinhado de gente, pouco mais ordenado do que a Costa da Caparica. Não é uma questão economicista: "Eu vou para o Algarve porque não tenho dinheiro para ir para outro lado qualquer". Se há sítio caro para se estar neste país, esse sítio é o Algarve.

Trocar umas férias económicas e relaxadas na costa alentejana, por exemplo, pela desordem do 'fim do reino' é para mim dificil de compreender. Muitos vão por moda, porque são uns infelizes, porque passam o ano a ver a Doce Fugitiva. Outros irão porque é chique.

As minhas idas ao Algarve tiverem a benção de nunca se prolongarem por mais de 4 dias, suficientes porém para perceber como uma terra e um aglomerado humano pode soar, todo ele, artificial. Gente que se exibe, no fundo é isso.

Tive a sorte de ter crescido com um homem e uma mulher, meus pais, que entre tudo o que me ensinaram (e foi muito), sempre negaram a solução fácil de uma piscina e um pedaço de relva. Durante anos fizemos de Agosto mês de mapa na mão e pó no carro. Percorremos todas as terras, todas as estradas. Perdemo-nos vezes sem conta e passámos pelos lugares mais estranhos. Posso ter esquecido nomes e coordenadas mas ficou o gosto pelo desconhecido e pelo diferente.

Que se dane o vulgar.

15 de agosto de 2007

O exagero ou o piroso

O video é do final de Julho e nele vemos a jornalista da RTP, Márcia Rodrigues, a entrevistar o embaixador do Irão em Portugal. Como sabem, no Irão, de acordo com a lei islâmica, as mulheres são obrigadas a cobrir a cabeça e a usar luvas, devendo vestir-se com cores escuras. A jornalista portugesa achou que tal seria necessário... em Portugal.

Confesso que a entrevista passou-me completamente ao lado, contudo fiz agora uma rápida pesquisa e encontrei uma notícia do Diário de Notícias onde é dito que "fonte da embaixada do Irão em Lisboa garante que não foram dadas quaisquer indicações à jornalista sobre a forma como ela deveria vestir". Faz sentido.

Afinal, Lisboa não é Teerão e não faria sentido uma representação diplomática exigir determinada indumentária, porque no seu país assim determina a lei e a moral.

Pessoalmente, parece-me tudo muito descabido.
Quis impressionar? Chamar a atenção? Deu-lhe uma diarreia mental? Queria ir de férias para o Irão e como não pode dá largas à imaginação? Converteu-se?

Vejam o video e digam de vossa justiça.

O que é que me dizem a isto:

Não se iludam, trata-se apenas da newsletter do site da dita.

13 de agosto de 2007

(des)Ode aos dias presentes

Fui, fomos, feito(s) num acto de luxuria carnal. Dois amantes perpetuaram-me, aqui e além, com movimentos suados, cuja susbtância prefiro, pudor, ignorar. Facto: da troca de fluídos saí, saímos.

Sou uma existência não questionada. Imposto à condição de mediano na escala de classes definho um perfil que não pude escolher. Sou o que sou, porque quiseram que fosse.

Os anos roubaram a inconsequência dos actos, toldaram os pensamentos e quebraram a irresponsabilidade que têm os que gastam a sola dos Nike em atrasadas corridas ao som estridente do toque das 10:30. Do tempo das tardes de Agora Escolha, sentado no canto, recanto, da mesa da sala, restam memórias. Nem tanto, talvez.

Pequenos, desejamos crescer. Depois, sem darmos por isso, num indefinido fragmento de tempo, idolatrado à data, perpetuamente odiado, trocamos o consolo refrescante do Epá, pastilha morango, por uma refeição rápida, tomada na manjedoura do povo, shopping, dizem, para parecer bem.

Queremos crescer. Crescemos e passamos o resto da vida, longa por sinal, a querer encolher os anos. Eis-nos com o ‘peso da idade’, a saber-nos aos mortos não tarda. Convencidos, porém, do inverso do verso.

Por mim, tenho saudades do multibanco da mãe e dos mil escudos do pai. Trocava sem grande desconforto, a militância da emancipação, pelo desvinculado desprimor dos 8 anos mal completos.

Não encontro particular estímulo numa vida feita de patrões peludos e empregados escravizados pela relação laboral. Falta-me a ponta da vontade de imaginar 60 anos de contas para pagar, impostos a descontar, descabimentos no suportar.

Vou trabalhar para viver, enquanto espero morrer?

Desconheço a motivação da concepção em si(m). Que a genética invente, contudo, um mecanismo de alerta precoce. Que se legisle pela Interrupção Voluntária da Concepção. Que se explique aos afoitos espermatozoides no que dá ganhar a corrida da fecundação.

Somos orçamentos a 31 dias. Nascemos na ignorância e desgraçamo-nos daí em diante.

11 de agosto de 2007

"Eu amo cada um de vocês"

O que é nos faz virar máquinas de gritos quando vamos ao concerto da banda da moda e o vocalista grita o nome da cidade onde está a tocar?

É automático: "Boa noite Melgaço!" - uma gritaria frenética, louca e desenfreada.

A cena repete-se quando chega a parte de galantear o público, ao melhor estilo de Garrett: "Vocês são o melhor público que já tivemos. A sério, são fantásticos". Ou ainda: "Vamos comprar uma casa aqui, sentimo-nos tão bem que não queremos ir embora!".

Nós temos noção que eles disseram aquilo ontem e vão dize-lo amanhã, certo? Ainda assim não dispensamos um grito entre o louco e patético, como se acreditassemos verdadeiramente na mentira que nos está a ser imposta.

Se eles são estrangeiros, ainda mais rídiculo. Eles chegaram há 1 hora, sairam do aeroporto para o palco e dali vão direitos para o check in. Não vão ter tempo de atestar o carro, pagar crédito à habitação ou utilizar o Serviço Nacional de Saúde.

Depois, bem, depois assistimos a cenas como aquela da Whitney Houston, em Lisboa, gritou por repetidas vezes (durante todo o concerto, em bom rigor): "Boa noite Madrid!". Ao menos, no meio do embaraço, para nós, claro, vendidos definitavamente à vizinha E(e)spanha e ainda por cima por uma tipa que tem um tema com o nome Whatchulookinat, sempre foram evitadas faltas simpatias. A tipa estava ali a cantar porque alguém assinou o cheque (espero que não do BCP).

Pior vi eu aqui há uns anos: O Luís Represas a enganar-se no nome da terra por meia dúzia de quilómetros.


(e este texto acaba aqui, sem qualquer conclusão lógica).

7 de agosto de 2007

A dança do vira

Portanto, o Xanana, Presidente, nomeou o Ramos para Primeiro-Ministro. O Ramos, Presidente, nomeou o Xanana Primeiro-Ministro. É isto? Viva a democracia! VIVA!

Os outros, entrentanto, ocupam-se aos tiros pela rua. Eu acho que são todos um bocado, digamos, selvagens.

2 de agosto de 2007

O dele

(e mais um post com um título descabido)

A partir de agora nunca mais me perco. Tão pouco apanho sustos daqueles por cruzar um carro da polícia enquanto faço uso do telemóvel.

Confesso, tentei o auricular. Acontece que a minha orelha é demasiado pequena para que o 'coiso' perceba o sítio dele. 200 metros após, cai.

Portanto, Pinguina, minha filha, nunca mais viramos à direita e só 20 km depois nos apercebemos que devia ter sido esquerda. Da mesma forma, agora já te posso ligar sempre que vou a conduzir... NOT!