27 de agosto de 2007

Sobre transexuais

Na TVI a Júlia Pinheiro brilha no plateau em mais um Tardes da Júlia, a versão Lidl do Oprah show. A convidada da tarde é um ele. Um sujeito que nasceu com pila mas acha que tem um pito lindo de sonho. Como homem não devia ser muito bonito, sendo que como mulher parece-se mesmo como um homem.

Há aqui uma quantidade enorme de questões que mereciam melhor tratamento do que o conseguido por uma entrevista mal preparada. Adiante.

A Eduarda é gorda, loira e peluda. Quer ser gaja, embora goste de estar sentada de perna aberta. Aposto que leva a mão à pubis e cheira a ponta dos dedos. Ainda não cortou a mangueira. Acho bem: Injecta-se para ter mamas mas continua a poder mijar de pé.

Falou-se depois de normalidade ou aberração. Não chego tão longe. A questão não é a definição de uma fronteira para lá da qual há uma grupo de "anormais". Contudo, quem assume a opção de viver um género diferente daquele com que nasceu, não pode esperar que a sociedade se curve à passagem, embora não deva pegar em calhaus. Devem compreender que eu faça um olhar de espanto quando chego ao café e peço uma bica a alguém de saias que me responde "Cheio?" com voz grossa.

Não me custa aceitar a diferença. Lido bem com os exemplos que vou conhecendo. Agora, se eu aceito espero que os protagonistas também aceitem e percebam que são diferentes. A tolerância implica uma relação bidireccional em que as partes entendem o que as distingue, integrando a distinção.

A vida feita cartoon


Olá caro visitante... se vem para:

23 Aug
01:28:56
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masturbação


17 Aug
17:37:14
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dança do vira


19 Aug
21:39:51
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pernas de frango


15 Aug
23:21:57
www.google.com
gajas despidas


Fique e sirva-se de café.


*Recent Keyword Activity.

23 de agosto de 2007

Dia de Surf

Foi pegar nesta família de pinguins e rumar ao Cinebolso...hum, perdão, ao Rio Sul.

Para lá do óbvio (ya meu, tipo, o filme é mesmo, tipo, ya, tipo bueda fixe pá, tipo memos bué curtido, tipo), descobri que este (o da esquerda)...

... é igual ao meu patrão. Só que mais bonito.

16 de agosto de 2007

Do Algarve e de quem não vive sem ele

Como é que alguém consegue passar 20 anos da sua vida tendo no destino de férias um factor comum a todos eles?

O Algarve é para muitos portugueses o solitário destino com o qual se vão cruzar em toda a sua vida adulta. Para a generalidade dos medianos de classe, o extremo Sul do país é o único sítio que conhecem para lá dos 50 km de raio a partir do ponto onde definham o resto do ano.

Para muitos desses infelizes, tristes por não saberem que existe mais do que caos urbano, confusão e Côte d'Azur de 4 categoria, palavras como Alentejo ou Minho soam estranho. Já ouviram falar do Alentejo mas o máximo que conhecem é a área de serviço de Grândola. Minho não é desconhecido de todo, apesar de de nunca terem passado de Vila Franca.

Custa-me entender que espécie de prazer alguém pode encontrar em dispender 15 dias e muitos euros num lugar apinhado de gente, pouco mais ordenado do que a Costa da Caparica. Não é uma questão economicista: "Eu vou para o Algarve porque não tenho dinheiro para ir para outro lado qualquer". Se há sítio caro para se estar neste país, esse sítio é o Algarve.

Trocar umas férias económicas e relaxadas na costa alentejana, por exemplo, pela desordem do 'fim do reino' é para mim dificil de compreender. Muitos vão por moda, porque são uns infelizes, porque passam o ano a ver a Doce Fugitiva. Outros irão porque é chique.

As minhas idas ao Algarve tiverem a benção de nunca se prolongarem por mais de 4 dias, suficientes porém para perceber como uma terra e um aglomerado humano pode soar, todo ele, artificial. Gente que se exibe, no fundo é isso.

Tive a sorte de ter crescido com um homem e uma mulher, meus pais, que entre tudo o que me ensinaram (e foi muito), sempre negaram a solução fácil de uma piscina e um pedaço de relva. Durante anos fizemos de Agosto mês de mapa na mão e pó no carro. Percorremos todas as terras, todas as estradas. Perdemo-nos vezes sem conta e passámos pelos lugares mais estranhos. Posso ter esquecido nomes e coordenadas mas ficou o gosto pelo desconhecido e pelo diferente.

Que se dane o vulgar.

15 de agosto de 2007

O exagero ou o piroso

O video é do final de Julho e nele vemos a jornalista da RTP, Márcia Rodrigues, a entrevistar o embaixador do Irão em Portugal. Como sabem, no Irão, de acordo com a lei islâmica, as mulheres são obrigadas a cobrir a cabeça e a usar luvas, devendo vestir-se com cores escuras. A jornalista portugesa achou que tal seria necessário... em Portugal.

Confesso que a entrevista passou-me completamente ao lado, contudo fiz agora uma rápida pesquisa e encontrei uma notícia do Diário de Notícias onde é dito que "fonte da embaixada do Irão em Lisboa garante que não foram dadas quaisquer indicações à jornalista sobre a forma como ela deveria vestir". Faz sentido.

Afinal, Lisboa não é Teerão e não faria sentido uma representação diplomática exigir determinada indumentária, porque no seu país assim determina a lei e a moral.

Pessoalmente, parece-me tudo muito descabido.
Quis impressionar? Chamar a atenção? Deu-lhe uma diarreia mental? Queria ir de férias para o Irão e como não pode dá largas à imaginação? Converteu-se?

Vejam o video e digam de vossa justiça.

O que é que me dizem a isto:

Não se iludam, trata-se apenas da newsletter do site da dita.

13 de agosto de 2007

(des)Ode aos dias presentes

Fui, fomos, feito(s) num acto de luxuria carnal. Dois amantes perpetuaram-me, aqui e além, com movimentos suados, cuja susbtância prefiro, pudor, ignorar. Facto: da troca de fluídos saí, saímos.

Sou uma existência não questionada. Imposto à condição de mediano na escala de classes definho um perfil que não pude escolher. Sou o que sou, porque quiseram que fosse.

Os anos roubaram a inconsequência dos actos, toldaram os pensamentos e quebraram a irresponsabilidade que têm os que gastam a sola dos Nike em atrasadas corridas ao som estridente do toque das 10:30. Do tempo das tardes de Agora Escolha, sentado no canto, recanto, da mesa da sala, restam memórias. Nem tanto, talvez.

Pequenos, desejamos crescer. Depois, sem darmos por isso, num indefinido fragmento de tempo, idolatrado à data, perpetuamente odiado, trocamos o consolo refrescante do Epá, pastilha morango, por uma refeição rápida, tomada na manjedoura do povo, shopping, dizem, para parecer bem.

Queremos crescer. Crescemos e passamos o resto da vida, longa por sinal, a querer encolher os anos. Eis-nos com o ‘peso da idade’, a saber-nos aos mortos não tarda. Convencidos, porém, do inverso do verso.

Por mim, tenho saudades do multibanco da mãe e dos mil escudos do pai. Trocava sem grande desconforto, a militância da emancipação, pelo desvinculado desprimor dos 8 anos mal completos.

Não encontro particular estímulo numa vida feita de patrões peludos e empregados escravizados pela relação laboral. Falta-me a ponta da vontade de imaginar 60 anos de contas para pagar, impostos a descontar, descabimentos no suportar.

Vou trabalhar para viver, enquanto espero morrer?

Desconheço a motivação da concepção em si(m). Que a genética invente, contudo, um mecanismo de alerta precoce. Que se legisle pela Interrupção Voluntária da Concepção. Que se explique aos afoitos espermatozoides no que dá ganhar a corrida da fecundação.

Somos orçamentos a 31 dias. Nascemos na ignorância e desgraçamo-nos daí em diante.