O Sarkozy divorciou-se na véspera e quando chegou à Cimeira toda a gente olhou para os monitores para ver se estava com aspecto de ter sido doloroso.
O Ricardo Costa, director da SIC Notícias, anda a atirar os pés para a freguesia do lado e tem o estranho hábito de limpar o salão com uma frequência para lá da média.
Num recantos, os empregados da limpeza mudaram o plasma de programa: da rede interna para a Praça da Alegria.
Os Polacos são muito sujos (e estou sentado ao lado deles).
Os jornalistas ingleses são insuportáveis.
O leitão é de negrais.
19 de outubro de 2007
18 de outubro de 2007
16 de outubro de 2007
Novidade dos videojogos
Ainda não tinha aqui comentado o facto de Luís Filipe Menezes ser o novo presidente do PSD. Não o fiz porque faltava algo de jornalisticamente relevante no facto. A notícia surge agora.
Como todos os partidos, o Partido Social Democrata tem um portal na internet. O endereço funciona como um local de (re)união dos militantes, ideal para se saber das últimas da social democracia.
Em http://www.psd.pt/ há um espaço reservado aos "Jogos" (cito para que percebam que não estou a inventar nada). É nesse espaço de "Jogos" (volto a citar) que os militantes podem passar o tempo, enquanto esperam que a as coisas entre o Santana e o Menezes corram mal. Afinal, e vou voltar a citar, "o PSD acredita que também se pode fazer política com humor".
Os jogos, ao melhor estilo dos 80's, recuperam e reformulam pérolas dos 386 que todos tivemos, com o Windows 3.11. Digo "reformulam", porque qualquer partido que queira uma nova Constituição da República sabe que a mudança começa nos videogames.
Trago até aqui apenas um exemplo: Orange Destroyer.
"Há muito muito tempo numa galáxia não assim tão longe, o Planeta Portugalis viu-se subitamente atacado pelos terriveis RosaOids. A última esperança de salvação é o combativo Orange Destroyer, uma nave que só você sabe pilotar. Destrua o invasor e salve o planeta Portugalis. O futuro da galáxia está nas suas mãos. "
Como todos os partidos, o Partido Social Democrata tem um portal na internet. O endereço funciona como um local de (re)união dos militantes, ideal para se saber das últimas da social democracia.
Em http://www.psd.pt/ há um espaço reservado aos "Jogos" (cito para que percebam que não estou a inventar nada). É nesse espaço de "Jogos" (volto a citar) que os militantes podem passar o tempo, enquanto esperam que a as coisas entre o Santana e o Menezes corram mal. Afinal, e vou voltar a citar, "o PSD acredita que também se pode fazer política com humor".
Os jogos, ao melhor estilo dos 80's, recuperam e reformulam pérolas dos 386 que todos tivemos, com o Windows 3.11. Digo "reformulam", porque qualquer partido que queira uma nova Constituição da República sabe que a mudança começa nos videogames.
Trago até aqui apenas um exemplo: Orange Destroyer.
"Há muito muito tempo numa galáxia não assim tão longe, o Planeta Portugalis viu-se subitamente atacado pelos terriveis RosaOids. A última esperança de salvação é o combativo Orange Destroyer, uma nave que só você sabe pilotar. Destrua o invasor e salve o planeta Portugalis. O futuro da galáxia está nas suas mãos. "
12 de outubro de 2007
De Fátima
Gastar 70 milhões de euros com uma igreja, valor tão disparatado pelo luxo que a obra encerra em si, é não só um extravagância, como também uma negação dos valores de humildade, simplicidade e desprendimento material que Cristo ensinou.
As obras foram pagas com as doações feitas pelos peregrinos? Não tenho a menor dúvida de que um bom cristão gostaria muito mais de ver o seu pouco ser transformado em muito, por intermédio de obra social.
A ostentação que o catolicismo revela, presente no luxo de alguns templos, no requinte de certas vestes, na incredulidade de determinadas hierarquias, espelha uma desvalorização dos princípios do cristianismo, em prol da manutenção de um status quo que mais não faz do que afastar as pessoas da fé.
As obras foram pagas com as doações feitas pelos peregrinos? Não tenho a menor dúvida de que um bom cristão gostaria muito mais de ver o seu pouco ser transformado em muito, por intermédio de obra social.
A ostentação que o catolicismo revela, presente no luxo de alguns templos, no requinte de certas vestes, na incredulidade de determinadas hierarquias, espelha uma desvalorização dos princípios do cristianismo, em prol da manutenção de um status quo que mais não faz do que afastar as pessoas da fé.
Talvez seja pelo exposto que, sentido-me cada vez mais próximo de Cristo, encontro-me, cada dia, um pouco mais distante daqueles que não conseguem, sabem ou querem, traduzir em actos as palavras ensaiadas.
10 de outubro de 2007
Fundamentalismos
Tenho para mim, do mais profundo do meu coração, que depois de uma certa entrevista que fiz ontem, só vou conseguir voltar a sair à rua com protecção policial. Eu já sabia que a dada altura o ambiente ia aquecer, com direito ao insurgimento, do topo da ofensa auto-infligida.Perguntar a alguém se assume a relação do grupo político que representa a um movimento de extremistas nazis, mesmo adivinhando-se a negação, com uma expressa e expressiva indignação, não tão bem disfarçada como a solenidade do momento impunha, dificilmente garante um bom resultado final.
São sombrios os caminhos do extremismo. Na modernidade, causa ou consequência, pegam-se em chavões do passado, recuperam-se conceitos, mais que ideologias, provavelmente desconhecidas. Os marxistas não leram Marx. Os nazis ouviram falar de Hitler primeiro no canal História, no zapping da Sic Radical para o Extreme Sports, e depois no blog de um qualquer purista de raça, que usa a rede para impestar cabeças mesquinhas de disparates maiores do que o seu ego, já de si devidamente estimulado ao melhor da punheta de espírito.
Não sei o que me incomoda mais: o que dizem ou a consciência de que acreditam mesmo naquilo. Partilham, linhas gerais, uma superioridade suposta, falando sempre com uma enorme assertividade, como se o mundo inteiro coubesse em duas ou três frases.
Os de direita acham que a moral foi comida por pretos, ciganos e brasileiros. Os de esquerda discordam: a moral existe e está com eles.
Não fora o facto de os seus fundamentalismos colidirem com o meu direito à escolha e de darem cabo da minha noção de tolerância e eu não precisaria de estar para aqui a argumentar. Há uma lógica de intransigência dogmática que deita por terra a partilha democrática, das gentes de ideias claras.
Indigno-me, barafusto e refilo, claro que sim.
5 de outubro de 2007
4 de outubro de 2007

Assinala-se hoje o Dia do Animal. A coisa já acontece desde 1935, embora em Portugal passe absolutamente despercebido, vai-se lá saber porquê.
A RTP, ao invés do povão, tem obrigação de saber este tipo de, vá, "coisas". Deve, como estação de serviço público, educar... e é isso que faz! Hoje, a RTP assinala o dia do animal com uma tourada.
O Matvey, não se conteve...
Exmo Senhor Provedor,
Poderia alongar-me sobre o tema das touradas, tentanto perceber qual a ideia subjacente a um ritual satânico, de humilhação pública de animais indefesos, para mero deleite humano, ao melhor estilo romanesco, dos princípios da civilização. Não o vou fazer.
Prefiro usar este canal para questiona-lo sobre o critério que se esconde na decisão de uma direcção de programas que assinala o dia do animal (hoje, 4 de Outubro) com a transmissão de uma tourada, em directo do Campo Pequeno.
Também aqui poderia voltar às touradas e ao facto de se usar património público como palco de carnificina animal. Mais uma vez não o vou fazer.
Portanto, podemos depreender que, segundo o serviço público de televisão, a melhor forma de lidar com a problemática da protecção animal é aniquilar os bichos cornudos.
Defender os direitos dos animais não é mero fundamentalismo. Promover uma tradição cruel e injustificada, para mero deleite cultural de uma minoria, de farto bigode e unha mindinha comprida, é desrespeito pela data, assinalada desde 1935, e pela inteligência dos espectadores que, digamos, não sendo programadores, percebem que há coisas que não combinam (imagine-se a Praça da Alegria apresentada pela Ana Sousa Dias).
Cordialmente,
A RTP, ao invés do povão, tem obrigação de saber este tipo de, vá, "coisas". Deve, como estação de serviço público, educar... e é isso que faz! Hoje, a RTP assinala o dia do animal com uma tourada.
O Matvey, não se conteve...
Exmo Senhor Provedor,
Poderia alongar-me sobre o tema das touradas, tentanto perceber qual a ideia subjacente a um ritual satânico, de humilhação pública de animais indefesos, para mero deleite humano, ao melhor estilo romanesco, dos princípios da civilização. Não o vou fazer.
Prefiro usar este canal para questiona-lo sobre o critério que se esconde na decisão de uma direcção de programas que assinala o dia do animal (hoje, 4 de Outubro) com a transmissão de uma tourada, em directo do Campo Pequeno.
Também aqui poderia voltar às touradas e ao facto de se usar património público como palco de carnificina animal. Mais uma vez não o vou fazer.
Portanto, podemos depreender que, segundo o serviço público de televisão, a melhor forma de lidar com a problemática da protecção animal é aniquilar os bichos cornudos.
Defender os direitos dos animais não é mero fundamentalismo. Promover uma tradição cruel e injustificada, para mero deleite cultural de uma minoria, de farto bigode e unha mindinha comprida, é desrespeito pela data, assinalada desde 1935, e pela inteligência dos espectadores que, digamos, não sendo programadores, percebem que há coisas que não combinam (imagine-se a Praça da Alegria apresentada pela Ana Sousa Dias).
Cordialmente,
3 de outubro de 2007
Do Catolicismo
A modernidade tem destas coisas. Tenho o hábito de enviar mensagens de correio electrónico a torto e a direito. Reclamo, acuso, digo e não me calo.
O último e-mail que enviei foi para um bispo e para um padre. Exactamente o mesmo texto, com reflexões pessoais sobré fé, a minha fé. Carreguei no send sem espererar uma resposta, pelo menos da eminência, que julguei demasiado ocupada com as aparições.
Enganei-me.
O e-mail obteve resposta. Do sacerdote, primeiro. Do bispo, depois. O conteúdo da mensagem original e da resposta que dela surgiu não interessa para o caso. Destaco apenas o tom descomprometido da mensagem recebida. Num caso como noutro, para minha confessa surpresa, a linguagem foi cordial e as palavras de compreensão. Não negando o rigor da doutrina, abriu-se um espaço ao diálogo fraterno entre quem pergunta e quem responde. Li sobre amor, sobre compreensão, diálogo e entrega. Recebi um convite a um encontro presencial.
Podemos, continuamos, a discordar do fundamento. Concordamos na urgência de debater ideias. Há muito tempo que o catolicismo não me surpreendia tanto como hoje.
O último e-mail que enviei foi para um bispo e para um padre. Exactamente o mesmo texto, com reflexões pessoais sobré fé, a minha fé. Carreguei no send sem espererar uma resposta, pelo menos da eminência, que julguei demasiado ocupada com as aparições.
Enganei-me.
O e-mail obteve resposta. Do sacerdote, primeiro. Do bispo, depois. O conteúdo da mensagem original e da resposta que dela surgiu não interessa para o caso. Destaco apenas o tom descomprometido da mensagem recebida. Num caso como noutro, para minha confessa surpresa, a linguagem foi cordial e as palavras de compreensão. Não negando o rigor da doutrina, abriu-se um espaço ao diálogo fraterno entre quem pergunta e quem responde. Li sobre amor, sobre compreensão, diálogo e entrega. Recebi um convite a um encontro presencial.
Podemos, continuamos, a discordar do fundamento. Concordamos na urgência de debater ideias. Há muito tempo que o catolicismo não me surpreendia tanto como hoje.
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