Nunca o vi. Tenho alguma vergonha no facto. Serei o único imaculado?18 de dezembro de 2007
17 de dezembro de 2007
Ajuste
E para mim, um bom Natal.
Em 2007 não ajudei ninguém a viver e talvez por isso o ano não tenha valido a pena.
Tive projectos que não cumpri. Ideias que não concretizei. Fiz promessas que não realizei. Ou talvez tenham sido primeiro as ideias, e só depois as promessas. Ou talvez não me devesse ter comprometido, de todo. Ou talvez o tivesse feito um pouco mais. Ou talvez, talvez, talvez…
Passei [-me] ao lado, uma, duas, três vezes. Esta cadeira onde me sento está um pouco mais gasta. Não estaria (por mim) se não estivesse aqui. Mas estou. Continuo aqui e a verdade é que no sítio onde trabalhamos, as cadeiras são o nosso melhor reflexo. Quanto mais as gastarmos, mais tempo tivemos para as gastar.
Como consequência do processo, do qual sou causa, afirmo-me mais positivamente? Não. Confio-me mais? Tão pouco.
Tenho, um ano depois, menos vida pela frente e mais à retaguarda. Fatidicamente, implacável, o tempo, só ele, para nos dar cabo da ingenuidade, das utopias e das crenças parvas e infantis, mas que nos fazem, ou faziam, como se diz? Sonhar.
Continuo a ser hipócrita 10 horas por dia. Convivo com gente que não [me] interessa, pessoas que a minha mãe não recomendaria.
Ainda assim, tudo isso e cito: os projectos incumpridos, as ideias “inconcretizadas”, as promessas por realizar, ainda a cadeira gasta e o vermelhos sujo pelo tempo, a desconfiança de mim e o impróprio convívio, Pai, Filho e Espírito Santo, seriam causa menor se eu tivesse ajudado à vida.
A ordem das coisas e das causas, de ínfimos e finitos objectos de relutantes crenças menores, elas, rapidamente seriam partículas dispersas, se sentisse, volvidos 12 meses de intermitente, embora constante, lassidão, ser no imediato a viril engrenagem do complexo processo de alguém.
Escolhi as palavras, com o primor que imponho à escolha destas, e essas ainda foram escritas antes de ditas, num imensurável jogo de perversão linguística, onde sou tirano, agente e peão.
Merda. Como posso cuidar de salvar alguém, se antes não cuidei de me salvar a mim?
Em 2007 não ajudei ninguém a viver e talvez por isso o ano não tenha valido a pena.
Tive projectos que não cumpri. Ideias que não concretizei. Fiz promessas que não realizei. Ou talvez tenham sido primeiro as ideias, e só depois as promessas. Ou talvez não me devesse ter comprometido, de todo. Ou talvez o tivesse feito um pouco mais. Ou talvez, talvez, talvez…
Passei [-me] ao lado, uma, duas, três vezes. Esta cadeira onde me sento está um pouco mais gasta. Não estaria (por mim) se não estivesse aqui. Mas estou. Continuo aqui e a verdade é que no sítio onde trabalhamos, as cadeiras são o nosso melhor reflexo. Quanto mais as gastarmos, mais tempo tivemos para as gastar.
Como consequência do processo, do qual sou causa, afirmo-me mais positivamente? Não. Confio-me mais? Tão pouco.
Tenho, um ano depois, menos vida pela frente e mais à retaguarda. Fatidicamente, implacável, o tempo, só ele, para nos dar cabo da ingenuidade, das utopias e das crenças parvas e infantis, mas que nos fazem, ou faziam, como se diz? Sonhar.
Continuo a ser hipócrita 10 horas por dia. Convivo com gente que não [me] interessa, pessoas que a minha mãe não recomendaria.
Ainda assim, tudo isso e cito: os projectos incumpridos, as ideias “inconcretizadas”, as promessas por realizar, ainda a cadeira gasta e o vermelhos sujo pelo tempo, a desconfiança de mim e o impróprio convívio, Pai, Filho e Espírito Santo, seriam causa menor se eu tivesse ajudado à vida.
A ordem das coisas e das causas, de ínfimos e finitos objectos de relutantes crenças menores, elas, rapidamente seriam partículas dispersas, se sentisse, volvidos 12 meses de intermitente, embora constante, lassidão, ser no imediato a viril engrenagem do complexo processo de alguém.
Escolhi as palavras, com o primor que imponho à escolha destas, e essas ainda foram escritas antes de ditas, num imensurável jogo de perversão linguística, onde sou tirano, agente e peão.
Merda. Como posso cuidar de salvar alguém, se antes não cuidei de me salvar a mim?
Natal por aqui
A árvore de Natal desta redacção é a mais feia de todo o mundo. Tem cerca de um metro, está isenta de ramos e as decorações ficaram longe da perfeição: três fitas, 140 lâmpadas e papel higiénico.
14 de dezembro de 2007
13 de dezembro de 2007
Das doenças e dos médicos que existem em nós

Porque é que quando estamos doentes, ou com uma pequena maleita, toda a gente tem uma explicação?
Ao que parece, nascemos todos com uma licenciatura em medicina e uma especialidade em "tudo".
Se cometemos o erro de desabafar com alguém que temos isto ou aquilo, há logo um diagnóstico garantido. Dizem o que se passa, porque se passa e como se cura. Se, por acaso, já fomos ao médico e trazemos o receituário e a explicação da 'causa-consequência', então o tal médico está errado, porque "eu é que sei. "Tens é que tomar isto! Precisas de fazer aquilo!". E dizem-nos com uma soberba, como se devêssemos confiar mais neles do que no gajo que estudou 10 anos para aquilo.
Como já referi aqui, num post anterior, estou pela hora da morte, o que significa que tenho indicações médicas a cumprir. Ora, toda a minha gente acha que o que médico está errado e que eu devo fazer o que eles, jornalistas, técnicos, sonoplastas, locutores, acham.
Se eu tenho um determinado regime alimentar, recomendado por uma nutricionista, porque carga de água é que vou muda-lo só porque estes Dr. House de meia tigela acham que encerram em si toda a sapiência do mundo?
Ao que parece, nascemos todos com uma licenciatura em medicina e uma especialidade em "tudo".
Se cometemos o erro de desabafar com alguém que temos isto ou aquilo, há logo um diagnóstico garantido. Dizem o que se passa, porque se passa e como se cura. Se, por acaso, já fomos ao médico e trazemos o receituário e a explicação da 'causa-consequência', então o tal médico está errado, porque "eu é que sei. "Tens é que tomar isto! Precisas de fazer aquilo!". E dizem-nos com uma soberba, como se devêssemos confiar mais neles do que no gajo que estudou 10 anos para aquilo.
Como já referi aqui, num post anterior, estou pela hora da morte, o que significa que tenho indicações médicas a cumprir. Ora, toda a minha gente acha que o que médico está errado e que eu devo fazer o que eles, jornalistas, técnicos, sonoplastas, locutores, acham.
Se eu tenho um determinado regime alimentar, recomendado por uma nutricionista, porque carga de água é que vou muda-lo só porque estes Dr. House de meia tigela acham que encerram em si toda a sapiência do mundo?
12 de dezembro de 2007
SPAM ou alguém muito bem informado
Alguém desligou o filtro de spam do servidor de e-mail da empresa e o resultado é que de há uma semana para cá vejo a minha caixa postal "oficial" cheia de mensagens inoportunas. As missivas do Cesar H. Dawson prometem-me "the best treatment at low price".
E para termos a certeza do que se trata: "* erectyle and other s'e_xual dysfunctions* excessive weight* depressi and anxiety* insomnia* allergic response".
Olha Dawson, não sei qual é a tua intenção, meu menino, mas ficas desde já a saber que aqui não pões a mão.
E para termos a certeza do que se trata: "* erectyle and other s'e_xual dysfunctions* excessive weight* depressi and anxiety* insomnia* allergic response".
Olha Dawson, não sei qual é a tua intenção, meu menino, mas ficas desde já a saber que aqui não pões a mão.
11 de dezembro de 2007
O que é que vais fazer hoje? Ah, vou morrer na estrada!
De 25 de Novembro até hoje já morreram 25 gajos nas estradas. Ou seja, ao volante, os portugueses continuam a morrer que nem uns desvairados.
Enquanto condutor acho que a atitude mais correcta a assumir quando se tem um carro nas mãos é adequar a nossa condução ao tipo de estrada e a uma série de outras condições, psiquicas, físicas e atmosféricas. Em si, isto não é nenhuma novidade, até porque qualquer encartado, por pior que seja, terá levado uma esfrega de retórica à data das aulas de código.
Convencem-me pouco, ou nada, os argumentos de desresponsabilização do condutor. Facilmente culpabilizam-se as estradas, a sinalização ou "os outros".
Certo que a sinalização é deficiente e as vias (A8, meu Deus, o que é isso?) uma desgraça em calças, mas "os outros" somos nós próprios. Afinal, o BMW série 7 que acabou de passar pelo nosso Fiat é apenas um reflexo da atitude tantas vezes negligente que protagonizamos... embora com mais 200 cavalos.
Nunca fui multado por excesso de velocidade, raramente passo os 120 na auto-estrada (até porque o meu Aygo, enfim) e nunca protagonizei ou proporcionei um sinistro.
Creio que, no particular, funciona muito bem o facto de ser um jornalista mal pago: Se for multado não tenho dinheiro para a multa.
Enquanto condutor acho que a atitude mais correcta a assumir quando se tem um carro nas mãos é adequar a nossa condução ao tipo de estrada e a uma série de outras condições, psiquicas, físicas e atmosféricas. Em si, isto não é nenhuma novidade, até porque qualquer encartado, por pior que seja, terá levado uma esfrega de retórica à data das aulas de código.
Convencem-me pouco, ou nada, os argumentos de desresponsabilização do condutor. Facilmente culpabilizam-se as estradas, a sinalização ou "os outros".
Certo que a sinalização é deficiente e as vias (A8, meu Deus, o que é isso?) uma desgraça em calças, mas "os outros" somos nós próprios. Afinal, o BMW série 7 que acabou de passar pelo nosso Fiat é apenas um reflexo da atitude tantas vezes negligente que protagonizamos... embora com mais 200 cavalos.
Nunca fui multado por excesso de velocidade, raramente passo os 120 na auto-estrada (até porque o meu Aygo, enfim) e nunca protagonizei ou proporcionei um sinistro.
Creio que, no particular, funciona muito bem o facto de ser um jornalista mal pago: Se for multado não tenho dinheiro para a multa.
Iluminação pública (e ao que chegámos)

Estive fora no último fim-de-semana, pelo que não me apercebi do momento em que todo um quarteirão ficou sem iluminação pública. Ora, numa zona sem comércio e sem grande vida, não custa adivinhar a escuridão que encontrei quando cheguei a casa.
Questionei duas ou três pessoas que me garantiram que a situação se verificava desde Sábado. Seria, portanto, a terceira noite sem luz. Estava dado o mote para os larápios mais astutos.
Peguei no telefone e liguei para a EDP, em tom cordial-ameaçador (ou seja, simpático, mas determinado, do qual resulta uma ironia que colhe os seus frutos). A operadora garantiu-me que ninguém tinha dado, até então, conta da avaria o que acredito ser verdade, porque quinze minutos depois do telefonema chegou uma carrinha da EDP, que em cinco resolveu o problema.
Na zona afectada moram, contas por alto, quinhentas pessoas. Meio milhar de almas que ficou sentado no sofá, provavelmente a refilar, mas que foi incapaz de pegar na porra do telefone e informar os serviços técnicos da EDP.
Este texto não tem uma conclusão, nem uma moral. A passividade fala por si.
Questionei duas ou três pessoas que me garantiram que a situação se verificava desde Sábado. Seria, portanto, a terceira noite sem luz. Estava dado o mote para os larápios mais astutos.
Peguei no telefone e liguei para a EDP, em tom cordial-ameaçador (ou seja, simpático, mas determinado, do qual resulta uma ironia que colhe os seus frutos). A operadora garantiu-me que ninguém tinha dado, até então, conta da avaria o que acredito ser verdade, porque quinze minutos depois do telefonema chegou uma carrinha da EDP, que em cinco resolveu o problema.
Na zona afectada moram, contas por alto, quinhentas pessoas. Meio milhar de almas que ficou sentado no sofá, provavelmente a refilar, mas que foi incapaz de pegar na porra do telefone e informar os serviços técnicos da EDP.
Este texto não tem uma conclusão, nem uma moral. A passividade fala por si.
10 de dezembro de 2007
Da (minha) posse
Cuido de programar o despertador para tocar dez minutos antes da hora habitual. Sei perfeitamente que não vou acordar ao primeiro apelo, mas se começar a tentar um pouco mais cedo, pode ser que, contas feitas, não me atrase tanto.As segundas não custam mais. O mais é saber que a elas se juntam as terças, as quartas e adiante, impiedosamente. O que custa é a fatalidade de despertar para o dia e pensar que falta tanto para voltar a quebrar a rotina. E quando o tanto se faz pouco, o logo ali parece quedar ainda distante.
Idiota e incoerente justificação para levar a vida de carreirinho. És tu por dois dias a cada cinco. No entretanto, estás refém de alguém que te devora, estrangula, usa, abusa e cospe o que sobra, sem pedir “com licença”. Chega para lá.
Que nada. Porque eu sou eu e eu sou meu.
Roubem-me o corpo. Violem-me. Abusem de mim. Rebentem com as minhas entranhas, se assim está destinado a ser. Façam desta carne um pedaço de nada. Agora, a minha alma, onde sou verdadeiro, essa, jamais será vossa, porque a tenho em propriedade.
Sujos. São porcos, imundos e nojentos. Ainda assim, anedotas que são, não me impressionam. As vossas circunstâncias não me surpreendem. A vossa vulgaridade não me ilude. Aplausos, venham eles, para a vossa ignorância, disfarçada em lugares comuns. Usam e maltratam a língua para impor regras de conduta. Se ao menos cuidassem de desembaciar o espelho lá de casa.
Não imploro aos céus castigo divino para tanta incoerência. Ela é, em vós próprios, a expressão maior da parvoíce com que foram castigados. Serão estúpidos a vida toda, porque não sabem ser de outra maneira. Tentem e desistirão no imediato. Coitados.
Idiota e incoerente justificação para levar a vida de carreirinho. És tu por dois dias a cada cinco. No entretanto, estás refém de alguém que te devora, estrangula, usa, abusa e cospe o que sobra, sem pedir “com licença”. Chega para lá.
Que nada. Porque eu sou eu e eu sou meu.
Roubem-me o corpo. Violem-me. Abusem de mim. Rebentem com as minhas entranhas, se assim está destinado a ser. Façam desta carne um pedaço de nada. Agora, a minha alma, onde sou verdadeiro, essa, jamais será vossa, porque a tenho em propriedade.
Sujos. São porcos, imundos e nojentos. Ainda assim, anedotas que são, não me impressionam. As vossas circunstâncias não me surpreendem. A vossa vulgaridade não me ilude. Aplausos, venham eles, para a vossa ignorância, disfarçada em lugares comuns. Usam e maltratam a língua para impor regras de conduta. Se ao menos cuidassem de desembaciar o espelho lá de casa.
Não imploro aos céus castigo divino para tanta incoerência. Ela é, em vós próprios, a expressão maior da parvoíce com que foram castigados. Serão estúpidos a vida toda, porque não sabem ser de outra maneira. Tentem e desistirão no imediato. Coitados.
7 de dezembro de 2007
Sócrates e a coragem política

O Primeiro-Ministro riscou da agenda de hoje a recepção pessoal que habitualmente faz aos representantes dos Estados que participam em actos oficiais.
Especula-se que o fez, não pela demorada cerimónia que resultaria do acto, mas antes por não querer ser fotografado ao lado de alguns dos maiores ditadores da actualidade, dos quais Mugabe é apenas um representante menor.
Se foi essa a razão, como acredito que tenha sido, censuro a atitude do PM. A coragem política só é plena se for levada até ao fim. Convidou-os, eles vieram, cumprimenta-os e depois safa-se.
Ah, Zé, Zé...
Especula-se que o fez, não pela demorada cerimónia que resultaria do acto, mas antes por não querer ser fotografado ao lado de alguns dos maiores ditadores da actualidade, dos quais Mugabe é apenas um representante menor.
Se foi essa a razão, como acredito que tenha sido, censuro a atitude do PM. A coragem política só é plena se for levada até ao fim. Convidou-os, eles vieram, cumprimenta-os e depois safa-se.
Ah, Zé, Zé...
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