22 de agosto de 2008

Festival Internacional de Máscaras e Comediantes


Começou ontem, no Castelo de São Jorge, o Festival Internacional de Máscaras e Comediantes. Trata-se da sétima edição de um evento que surge integrado nas Festas de Lisboa. Além do Castelo, também o Museu da Marioneta é palco das apresentações que vão decorrer até dia 31 e que têm em comum a máscara como elemento central.

Assisti ao espectáculo de estreia - Splash - e deixo os demais por vossa conta. Mais informações aqui.

Update sobre Angola

Para quem se tem perguntado sobre a minha ida para Angola, uma breve nota: A partida, inicialmente agendada, como se recordam, para 21 de Julho, já tem nova data. Não a revelo por enquanto, aguardando a confirmação de quem de direito.

16 de agosto de 2008

Deolinda

Os Deolinda apresentam uma nova abordagem ao fado. São frescos, são diferentes e muito engraçados. Música bem disposta.

Fica o video da passagem pela Antena 3.

13 de agosto de 2008

O jeito que a guerra lhe dá


Ainda que ao mundo ocidental, no qual nos incluímos – geograficamente falando – pareçam estranhos os motivos da guerra que a Rússia “declarou” à Geórgia, uma coisa é certa: a guerra deu-lhe um jeito imenso.

Pela primeira vez, desde que chegou ao cargo, o actual presidente russo consegue afirmar a plenitude do seu apelido, Medvedev, descolando de Putin. Ainda que o ex-presidente continue, porque continua, a ter grande influência no Kremlin, o que o actual ocupante da “casa do poder” russa recolhe, depois da cruzada bélica na Ossétia do Sul é uma grande dose de protagonismo.

Mais do que meia dúzia de discursos bem feitos, eloquentemente afirmados, perante uma ruidosa multidão, que se rende às palavras do seu líder, a guerra, ou se quiserem, “A Guerra”, consegue fazer dos homens que a protagonizam, figuras míticas. Agora, certamente que a História dos povos não se vai esquecer desse apagada figura.Ela fica-te mesmo bem, Dmitri.

12 de agosto de 2008

O espanto dele

George W. Bush mostrou-se hoje totalmente "contra a invasão da Rússia a um país soberano", o Iraque... perdão, a Geórgia.

6 de agosto de 2008

Ser jornalista é:

Perigoso. Ser jornalista é arriscado e perigoso, porque quem o é, como eu, está sempre dependente das arbitrariedades humoristicas de quem emprega. Num país onde o patronato tende a ser pouco formado, pouco evoluido e pouco capaz, quem detém empresas de comunicação social é, não raras vezes, o espelho de um tecido empresarial aquém das necessidades, mas ao nível das expectativas.

Vejam o caso d' "O Primeiro de Janeiro", onde um grupo de camaradas jornalistas foi deixado à sua sorte, depois de (mais uma) diarreia mental do dono do título. Uma atitude que, existam regras e reste moral, não pode ficar impune.

Já trabalhei com gente muito capaz. Já fui chefiado por pessoas habilitadas. Contudo, triste sina a minha e a nossa, a generalidade dos que me pagaram ordenados ao final do mês, não percebiam a diferença entre uma breve e uma reportagem.

Aos camaradas do Norte, um "não desistam" da profissão. Que o episódio que vivem sirva para tornar o jornalismo ainda mais nobre e combativo, assim sejam os seus operários melhores guerreiros.

5 de agosto de 2008

Silêncios perturbadores*


Se há coisa que detesto são refeições partilhadas com pessoas com as quais não tenho confiança. Não é o facto de comer calado que me chateia, mas antes o saber que o silêncio que se criou é o resultado de uma total ausência de assunto de conversa. É por isso que evito partilhar a hora de almoço ou de jantar com gente que nada mais tem para me oferecer que não 60 minutos de nervos.

Do que é que se fala, quando não se tem nada para dizer?

Sou um mestre nas desculpas rápidas e com facilidade esquivo-me a factos que pareciam absolutamente consumados. Não é para me gabar, mas em poucos segundos consigo inventar uma história libertadora. Algumas são tão fabulosas que eu chego a acreditar viver nesse mundo de fantasia.

Quando não há escapatória possível, o que sobra é ter coragem. No caminho para o restaurante (se no carro do carrasco, ainda pior) procuro construir, mentalmente, umas linhas de conversa. Não podem ser demasiado genéricas, para que não me seja descoberta a careca. Não podem ser demasiado profundas, porque posso ficar a leste num instante. Temas ali no meio-termo. Se é um colega de trabalho (ou mesmo um chefe ou patrão), a vida da empresa é garantida e aqui sim, torno-me na mais hipócrita das pessoas. Escolho muito bem as palavras e nunca me comprometo.

Lá diz o ditado. "Mais vale só..." enfim, vocês sabem o resto.



* E é isto. Desculpem, mas com este calor não dá para mais.

27 de julho de 2008

Na avenida

Aqueles óculos, Ray Ban, massa castanha, redondos, fora de moda, arqueados pelo uso, há muito que pedem reforma. O olhar, humedecido por lágrimas, pede compaixão. Desce a avenida, em passo titubeante, enquanto espera a atenção voluntária dos transeuntes, que jamais chegará. Perante a indiferença de quem passa, e acelera o caminhar, obriga-se a abordar – talvez não ao acaso – alguém.

Pede desculpa. Repete o pedido, uma e outra vez. Insiste.

Um sorriso, de quem ouve, e um pensamento: “Ok, calhou-nos um doido”. A história, revelada em palavras e trejeitos poucos seguros. Nem uma ideia clara. Emprego, mulher, casa, fome. Fome? “Não quero passar fome”.

O regresso ao começo. Pede desculpa. Repete o pedido, uma e outra vez. Insiste. Quer dinheiro. Pouco. Não tão pouco, quanto pouco.

Desapareceu o sorriso. Ouve-se com mais atenção aquele que agora aperta o braço de quem passava, de quem apressou o passo, mas foi impelido a parar por um “desculpem” (ainda que respondido com um sorriso jocoso).

Qual o tamanho da indiferença humana? Onde está a linha que marca a fronteira entre desconfiar, acreditar e entregar? Quanto vale a ajuda? O que é ajudar?

A indiferença, condição das passadas largas de quem não quer ser incomodado com perguntas parvas e abordagens bacocas, quebrada por um chorar ligeiro – ninguém chora sem querer, se não souber fingir chorar – pode tornar-se sentido entendimento.

Vinte euros matam a fome ou selam uma história que preferimos manter calada?

Digo-te, não sei o que vais fazer a esse dinheiro – tão pouco para ti, se falas verdade e tanto para mim, que desconheço porque fiz dele oferenda. Não sei se me mentiste, mas talvez a nota que, dobrada, guardaste no bolso, mesmo antes de pedires ajuda para atravessar a estrada e me dares a mão, como se fosses meu pai, tenha servido para sossegar uma alma inquieta, sedenta de boas acções. A minha.