18 de setembro de 2008

Miramar


Em Luanda, num alto a partir do qual a cidade de estende a nossos pés, há um cinema. Chama-se Miramar. Ao ar livre – calor a quanto obrigas – está hoje meio ao abandono. O ecrã, outrora branco, é agora uma gigante tela cinzenta, na sombra do esplendor que figura, por enquanto apenas, nos compêndios de histórias ou nas memórias de “estórias”.

Quantos heróis salvaram inocentes? Quantos beijos apaixonados? Quantos enamoramentos aquela gigante montra de sonhos teve oportunidade de testemunhar na plateia?

O espaço, igual ao antes, está reduzido à missão de sala ocasional de espectáculos ainda mais ocasionais. O público já não é fixo, os filmes são outros e os enredos bem mais previsíveis. Ainda se vê o mar, a baia e a cidade. Vê-se como é e imagina-se como foi. Só.

15 de setembro de 2008

Um jeito diferente de ser...

Ele é Tókinho, artista de rádio nas horas vagas. Aos Sábados, entra no Submarino Angolano e, entre as 18h00 e as 19h00, na antena da rádio LAC, dá música dos Beatles para toda a cidade de Luanda.

A história da LAC é muito peculiar. Foi fundada por dissidentes da Rádio Nacional de Angola e vive, há 17 anos em contentores, num espaço improvisado, que proporciona, ao visitante, uma estranha sensação de conforto.

Alucinado, como poucos, Tókinho é um verdadeiro rei da rádio. Recebe visitas e manda recados, por entre cigarros. Por entre muitos cigarros.

Há mais fotos, aqui.

9 de setembro de 2008

Foi-se a Marlene

Mudei de apartamento e com a mudança troquei também de empregada. Foi-se a Marlene. Agora há uma Ângela. Já fui repreendido pela primeira, por ter "saído de casa" e comprometi-me a visita-la com regularidade.

Não deixa de ser significativo que as primeiras kambas que faço em Angola sejam empregadas domésticas.

iPod Angolano


8 de setembro de 2008

Recadinho:

Para todos aqueles que, em Lisboa, teimosamente, perguntam "que horas são aí?", a minha indignação, travestida de carinho: porra, é a mesma hora que aí!

Moeda angolana

Em 2000 Angola adoptou o Kwanza como moeda oficial. O novo kwanza substituiu o velho, a uma proporção de 1 para 1000 (e obrigadinho Wikipedia).

Não existem moedas, pelo que é comum termos a carteira cheia (muito cheia, aliás) de notas que, todas somadas, dão para comprar pouco mais do que uma cuspidela de boi, que é uma coisa que, parece, usa-se muito aqui em África.

Ora, depois de terem constatado o quanto eu sei de política monetária, aqui vai mais um ensinamento.

Notas de kwanza:

1 kwanza
2 kwanzas
5 kwanzas
10 kwanzas
20 kwanzas
50 kwanzas
100 kwanzas
200 kwanzas
500 kwanzas
1000 kwanzas
2000 kwanzas

Ora, sem moedas de cêntimos, por exemplo, a vida pode ficar bem complicada, porque os preços não são lineares.

Hoje, no supermercado local, perante uma conta dificil, o operador de caixa achou justo facilitar a vida a si próprio e o troco foi dado com a ajuda de... pastilhas elásticas!

And I rest my case.