Eu tenho uma estima especial pelos meus óculos. A paixão é tal que, nem à noite, no momento de recolher, ouso tira-los da cara. Não são raras as vezes em que adormeço com eles postos. A proeza correu sempre bem... até ontem.Estava eu entre os lençois e Albert Camus, quando fecho subitamente a pestana. Na revolução do leito perco os óculos, que ficam aconchegados entre os meus muitos quilos e a parede.
Hoje - usa-se muito em África - dou por mim com um novo olhar sobre o mundo. Vejo tudo com riscos, numa permanente imperfeição visual.
Resultado, ainda não tinha mandado vir nada de Portugal e estreio-me com duas lentes graduadas da Zeiss.
"Apesar de tudo o número de coabitações de irmãos, tios, sobrinhos ou amigos é maior que a dos gays, para não falar dos casos de poligamia, incesto e pedofilia, que a mesma sociedade (ainda) insiste em repudiar. Porquê esta obsessão com uma situação particular?"

Em Luanda, num alto a partir do qual a cidade de estende a nossos pés, há um cinema. Chama-se Miramar. Ao ar livre – calor a quanto obrigas – está hoje meio ao abandono. O ecrã, outrora branco, é agora uma gigante tela cinzenta, na sombra do esplendor que figura, por enquanto apenas, nos compêndios de histórias ou nas memórias de “estórias”.