10 de outubro de 2008

Ai estes óculos...

Eu tenho uma estima especial pelos meus óculos. A paixão é tal que, nem à noite, no momento de recolher, ouso tira-los da cara. Não são raras as vezes em que adormeço com eles postos. A proeza correu sempre bem... até ontem.

Estava eu entre os lençois e Albert Camus, quando fecho subitamente a pestana. Na revolução do leito perco os óculos, que ficam aconchegados entre os meus muitos quilos e a parede.

Hoje - usa-se muito em África - dou por mim com um novo olhar sobre o mundo. Vejo tudo com riscos, numa permanente imperfeição visual.

Resultado, ainda não tinha mandado vir nada de Portugal e estreio-me com duas lentes graduadas da Zeiss.

CONTINUAMOS A APRESENTAR: Relatório de instalação de uma caldeira (parte III)

Dia 30 de Setembro: Colocação da caldeira dentro de casa.

Dia 1 de Outubro: "Esfuração" da varanda.

Dia 2 de Outubro: Nada a registar.

Dia 3 de Outubro: Colocação dos camarões no local da esforação.

Dia 6 de Outubro: Caldeira pendurada nos camarões.

Dia 9 de Outubro: Samuel entra em casa e mede uma parede ao acaso.


Updates em breve.

6 de outubro de 2008

E o prémio "homofóbico que diz que não é, mas não há ninguém como ele" vai para:

João César das Neves, pelo seu artigo de hoje no Diário de Notícias:

"Apesar de tudo o número de coabitações de irmãos, tios, sobrinhos ou amigos é maior que a dos gays, para não falar dos casos de poligamia, incesto e pedofilia, que a mesma sociedade (ainda) insiste em repudiar. Porquê esta obsessão com uma situação particular?"

(...)

"A grande maioria da população considera a homossexualidade uma depravação, um acto intrinsecamente desordenado e contrário à natureza. Não se trata de um preconceito, mas de uma opinião válida e legítima a ponderar. E não deve ser confundida com homofobia, que é agressão ou discriminação de pessoas."

3 de outubro de 2008

27 de setembro de 2008

A piscina é já ali ao lado

Finalmente o condomínio onde estou a morar já tem piscina. Há muito que os moradores reivindicavam do INEJ, entidade que gere o espaço, a abertura do mesmo.

Em final de mandato, a actual direcção brindou todos com a abertura do local de descanso e diversão, introduzindo, aliás, algumas alterações na disposição do espaço. A partir de agora, a própria da piscina funciona no apartamento 32, pelo menos a julgar pela quantidade de água que eu tinha em casa, quando regressei de uma ida ao Jumbo (em Luanda, sim!).

Pouca coisa: 3 cm de altura, tirados à força de pás de cozinha ("há que contornar", já dizia a outra).

Aproveito para agradecer à minha empregada por ter deixado a torneira da banheira aberta, com a tampa no ralo. Muito bem, minha menina. Muito bem, mesmo! Tanto favor sexual que tu me deves a partir desta tarde!

Protesto

Às 7:45 da manhã fui acordado por um martelo pneumático que, ruidosamente, partia uma parede, dois andares por cima do meu. Estão a ampliar o wc mais pequeno dos apartamentos alugados onde vivemos.

Fiquei muito mais aliviado quando constatei que existem dois homens, para 20 apartamentos. Vai ser uma obra rápida, portanto.

26 de setembro de 2008

Notas

Artigo publicado hoje em Portugal. Fiquem com ele e bom fim-de-semana.

Clicar na imagem para ampliar.

21 de setembro de 2008

Ai os buracos

O presidente da empresa que presta abastecimento de água à capital, em declarações à Rádio Nacional, justificou uma série de obras, que vão implicar vários cortes no abastecimento, dizendo que "o ano passado aconteceram várias roturas, aproximadamente cerca de quatro".

18 de setembro de 2008

Miramar


Em Luanda, num alto a partir do qual a cidade de estende a nossos pés, há um cinema. Chama-se Miramar. Ao ar livre – calor a quanto obrigas – está hoje meio ao abandono. O ecrã, outrora branco, é agora uma gigante tela cinzenta, na sombra do esplendor que figura, por enquanto apenas, nos compêndios de histórias ou nas memórias de “estórias”.

Quantos heróis salvaram inocentes? Quantos beijos apaixonados? Quantos enamoramentos aquela gigante montra de sonhos teve oportunidade de testemunhar na plateia?

O espaço, igual ao antes, está reduzido à missão de sala ocasional de espectáculos ainda mais ocasionais. O público já não é fixo, os filmes são outros e os enredos bem mais previsíveis. Ainda se vê o mar, a baia e a cidade. Vê-se como é e imagina-se como foi. Só.