20 de novembro de 2008

De ler

Eu escrevo, não é? E depois de ter escrito, leio. E depois de ter lido, corrijo. E volto a ler. Às vezes até leio uma terceira vez.

Depois de ler publico. Tem dias em que não publico.

Se publico, leio.

Leio e acho que falta qualquer coisa.

Acho que falta qualquer coisa e nunca acrescento nada.

Aculturação

Desde que vim para Angola a minha vida mudou radicalmente. O meu visual também.

Efectivamente

Neste blog não se fala de futebol, a não ser que Portugal perca 6-2 com o Brasil. Como esta madrugada...

17 de novembro de 2008

Carta à tua fé

Tu,

Não tenho memória da primeira vez que entrei numa igreja. Era muito novo, isso sim (semanas, talvez). O meu pai foi catequista vários anos, a minha mãe estudou num colégio de freiras e toda a família manteve sempre uma grande vivência católica.

Fiz a catequese (os tais 10 anos) e foi com naturalidade que se comentou o facto de, aos 16 anos, ter decidido ser catequista. E fui (ou sou, ainda) catequista até não há muito tempo.

Por isso, as linhas que se seguem falam mesmo de fé. É que, apesar de ter experimentado um pouco de tudo na igreja - além de catequista, fui leitor, voluntário e outras tantas coisas - só em 2004 descobri o verdadeiro sentido da palavra.

De facto, ter fé é mais do que um acto religioso. Pode sê-lo, sim, mas não o é necessariamente. Ter fé é, também, muito mais do que um exercício de crença. É uma entrega à certeza. Certos de um caminho, de uma opção, feita palavra, entregamo-nos a ela. Confiamos-lhe a nossa vida e deixamo-nos levar, sem reservas.

Dizia-te que, em 2004, quando ouvi falar de Taizé e enquanto fui descobrindo o dimensão do movimento (a grandiosidade da simplicidade) encontrei, também eu, o sentido da minha fé.

É impossível viver sem fé em alguma coisa. Esse acto de aceitação deixa-nos tranquilos. "Sim, creio".

O desafio de Taizé é uma vida em confiança. Trata-se de uma comunidade de monges que vivem em pobreza, não longe de Lyon. Ela foi fundada pelo irmão Roger, com o objectivo de ajudar os refugiados da Segunda Guerra Mundial. O altruísmo deste homem comoveu outros, que se lhe juntaram na demanda da justiça humana. Apesar das dificuldades com que se deparou, Roger nunca desistiu. Acreditou. Teve fé. Percebeu também que é "o essencial que torna a vida comunitária possível".

Ter fé é, por isso, também, não resignar. Uma forma de louvar o não conformismo. Encontrar, na crença, um impulso para a mudança. Fazer da possibilidade uma certeza.

Nada é tão definitivo que seja eterno.

Se fosses gente de fé em Deus dir-te-ia que Ele está a caminhar a teu lado, que Cristo pega em ti ao colo (e recordo-me das "Pegadas na Areia"). Não sendo - não és, pois não? - privo-te que quando te sentires ausente de amparo eu próprio pegarei no teu corpo exausto e levo-te até um lugar seguro.

Desiste do que quiseres, só não desistas de ti. Tem fé.

N.

A minha empresa dá-me tudo

Quando cheguei a Angola foram-me buscar de Lexus. Hoje trouxeram-me a casa assim...

14 de novembro de 2008

Incertitude

E depois desapareceu. Não deixou rasto, não fez sentido, sentindo-se, contudo. Ainda há pouco estava por aqui e agora, surpresa, partiu para parte incerta e é nessa “incertitude” – é um neologismo, sim - que a inquietação se retém.

Não há partes incertas. Não existem, não são reais. As partes incertas - olá boa tarde, muito prazer - são apenas desconhecidas por quem procura.

Portanto – já me apresentei? – dispenso justificações, clarividências ou demagogias. Também passo essa tentativa de conforto, que mais não é do que um exercício de retórica. Não me convenço assim tão facilmente. Incertamente, a parte incerta há-de estar em qualquer lado. Só se lhe desconhece o paradeiro. Não à parte, mas à coisa que está na parte… incerta, pois.

A coisa que à e a coisa que há é incerta como e na parte incerta – afinal já nos tínhamos mesmo apresentado - pois.

Dá-me jeito saber de ti. Até porque não estás incerta. Eu é que não conheço a tua certeza.

'A Kiss is Not a Contract'

Oh Raminhos, porra que isto é mesmo bom pá!

11 de novembro de 2008

Chuva de Verão

Raio de sol beija a pele de uma criança que ri
Há tanto tempo que a àgua da vida não caía aqui.

Obrigado, S.