4 de maio de 2009

Budapeste e tudo à volta

Li algures que uma blogger que não conheço vai/está/esteve em Budapeste. Conheci a capital da Hungria há alguns anos, numa das minhas incursões europeias. Há quem a chame de "a Paris do Leste". Longe disso, Budapeste é uma cidade com personalidade própria (é como comparar Bruges a Veneza).

Não é empolgante. É diferente. À data, muitos edifícios pediam obras. Algumas ruas precisavam de limpeza e faltava a afirmação turística, como aconteceu à vizinha Praga. Porque é que Budapeste resulta tão bem? Precisamente porque é "só mais ou menos para turistas" e eu gosto de cidades que pensam nos locais, muito mais do que nos visitantes. Gosto sempre de me perder nas ruelas que não aparecem nos guias da American Express.

Porque o dinheiro era curto, fiquei hospedado num velho hotel (à distância de uma hora de qualquer outro ponto de interesse), no topo de uma verdejante colina. Agro Hotel, assim se chamava. Os quartos que denunciavam os anos passados - cravados numa arquitectura de inspiração claramente soviética - serviam na perfeição aquele que poderia ser o propósito maior daquele edifício, naquele sítio: fazer o visitante concentrar-se na esplendorosa vista para a Hungria para lá da capital.

Aliás, a Hungria que interessa está muito mais fora de Budapeste, do que no seu interior. Uma breve viagem de comboio permite desvendar um país pobre, mas verdejante. À espera de desenvolvimento, mas com uma beleza singular.

Não sei porquê, lembrei-me disto agora.

3 de maio de 2009

Crazy mom

Passei a semana a trabalhar num programa dedicado ao dia da mãe e chegado o dia foi preciso entrar num blog vizinho para me lembrar que, afinal, é hoje.
A minha mãe fica muito chocada quando eu arroto à mesa. Não gosta que eu fale demasiado alto ("os vizinhos ainda pensam que isto é uma casa de doidos") ou que finja discursos à janela. Já lhe expliquei que falo alto para ter a certeza de ser ouvido, discurso à janela porque há-de haver alguém a precisar da minha luz e não faço ideia porque é que arroto à mesa.
Ela é chata, porra. Como todas, presumo. Ainda agora, e olhem que estamos separados por muitos quilómetros - o que é óptimo para fazer coisas que ela não aprovaria, sem precisar de me preocupar com a sua aprovação - continua, torna não torna, a recordar-me que a luz é para apagar, os óculos para tirar e a televisão para desligar antes de ir dormir. Oh mãezinha,  tu achas mesmo que eu faço isso tudo só porque tu me dizes para fazer? 
É uma pena não a ter mais perto. Não só porque era ela quem apagava a luz, tirava os óculos e desligava a televisão, mas também porque sou egoísta ao ponto de querer ter o seu abraço logo ali e usa-lo, ao meu próprio gosto, quando muito bem me apetecer.
As mães - a minha, pelo menos, que é o caso que melhor conheço - acham sempre que nós crescemos bem devagarinho (a minha deve-me presumir ainda com 12 anos). Os filhos - eu, pelo menos, que é o caso que conheço melhor - fazem-se de difíceis, até porque acham que qualquer excesso afectivo pode ser confundido com 'mariquice', mas adoram saber que, no matter what, elas vão estar sempre ali, à espreita, prontas para nos recordar que carregaram connosco durante 9 meses. Mesmo que já se tenham passado 26 anos.

2 de maio de 2009

As baratas

Acho que já cheguei a comentar convosco que tenho baratas em casa. Bem, se calhar, por não ser uma boa nova, talvez não. Mas é verdade: Tenho baratas em casa. Em tempos, nos dias bons, passados, limitavam-se ao armário da pia. Agora, aos poucos, vão tomando território, espalhando-se pela sala e wc. Sei que em breve vou passar a dormir acompanhado e confesso que não me desagrada de todo a ideia de ter uma castanhinha a afagar-me as partes.

Estou a tentar estabelecer regras de convivência, afinal, sou dono de um bom coração, tantas vezes desprezado. Não mato mais de duas por dia e evito faze-lo se não sairem da cozinha. Não sei até quando o acordo vai ser respeitado. Quero acreditar que as próprias são senhoras de bom tino e que isso bastará. Estou em plena guerra fria.

Não me tomem por parvo: já pedi uma desinfestação. Responderam-me que está agendada. Há um mês.

1 de maio de 2009

Acabado de sair do coma


Parece que afinal foram só 12 Cucas por três pessoas. Já agora, desminto categoricamente que tenha bebido as tais 6 de que sou acusado por uma leitora-colega-de-apartamento na caixa de comentários do post respectivo. Juro, pela minha saudinha, esse bem tão precioso, objecto do meu maior desrespeito, que não me lembro de ter passado da terceira (mãe, a cirrose está tão fixe como eu, embora quase sempre mais sóbria).

Há muita magia numa lata de Cuca. Desde logo o seu aspecto exterior, com aquele amarelo torrado, um verdadeiro convite ao deleite. Depois, toda a estética escondida no seu conteúdo, revelado ao mundo no momento da abertura, como se de uma mulher acabada de estrear se tratasse.

Geralmente, excepto nos dias maus, limpo sempre à volta. Afinal, com tanta doença que há por aí, não é sensato meter no desconhecido sem, pelo menos, dar-lhe um asseio rápido.

O "ritmo Cuca" (ouvissem a 96.5) é tão bom que repito sempre a gracinha. Uma, duas, três vezes. E não é que não me lembro de algum dia ter passado da terceira?

30 de abril de 2009

28 de abril de 2009

Versão adaptada

Como ninguém me passa questionários - e como eu gosto de questionários - fui a um blog concorrente e saquei de lá este. Omito a fonte, até porque o blog não é lá grande coisa.

Questionário
(versão adaptada e reduzida ao meu próprio gosto)

A tua música favorita?
Depende muito do dia. Quando menstruo, por exemplo, prefiro qualquer uma dos Take That. Funcionam como tampão.

O teu livro preferido?
A Rapariga de Java, de Pramoedya Ananta Toer (e o velho morreu sem ganhar o Nobel, o que é uma injustiça do caraças, se até o Coetzee ganhou).

Que países visitaste?
São 12, ao todo. A saber: Espanha, França, Reino Unido, República Checa, Irlanda, Austria, Bélgica, Itália, Hungria, Holanda, Eslováquia e Angola.

Qual a tua cidade de eleição?
Viena.

Que país te falta conhecer?
Todos os outros, claro.

Sem alarmismo

Portanto, anda um gajo a passar mal em África e afinal nada disto vale a pena porque vamos todos morrer com a gripe do porcos. Muito bem, Senhor Deus. Vejo que tinhas lindas coisas guardadas para mim.

25 de abril de 2009

Então vá

E é isto. Está vivida a história de 13 dias em Portugal. Resta pouco mais do que apanhar o avião e ver a cidade lá ao longe, até deixar de a ver de todo. Prometo-me a ter no pensamento, naqueles minutos em que Lisboa parece feita à escala, todos os quilómetros que fiz de carro. É que em cada um deles havia a ideia de um reencontro.
Sabem, a vida em Angola não é fácil. Luanda é uma cidade infernal, onde só não falta a confusão. Ao chegar, distante apenas por dias, vou ver partir dois amigos para quem a aventura terminou. E o difícil vai custar um pouco mais. Felizmente sou daqueles que acha que há sempre um sentido, até na privação.
A cada abraço de despedida - e como são sentidos os abraços, desta vez - um suspiro e um murmuro a dois tempos: fica, volta. Eu vou voltar, sim. Vou voltar, claro. Dêem-me só tempo para perceber que é o tempo certo para o fazer.
Dois recados, porém: 
Diana, nem que te aleijes, mesmo que dês uma grande queda, lembra-te que é sempre melhor ter uma nódoa negra do que estar anos sem uma história para contar (e não me estou a referir ao teu tornozelo).
Patrícia, cumpre o ritual mas não dependas dele. A vida, a tua, continua aqui e agora. Só aqui e agora.
Amo-vos a todos, mas amo-me a mim ainda mais.

35 do 25

A verdade é que em 74 nem de um para o outro eu andava a saltar. Crescer na liberdade é difícil para quem, como eu, nunca conheceu outro adquirido. Não pelo regime em si, mas porque nunca estamos satisfeitos com coisa nenhuma. Acredito, porém, que realmente duro deve ter sido viver na égide da censura e da repressão.
Não sei mais do que aquilo que os livros e os testemunhos de quem viveu a Revolução me contam e ainda assim Abril emociona-me. Pelos relatos emocionados, pelos discursos de ocasião. Também pelo cinismo e pela hipocrisia.
O país deve ter mudado muito. O que não muda é a génese humana. Desta forma, é legítimo esperar programa. É um disparate acreditar em milagres.