9 de setembro de 2009

Os mosqueteiros

O político por excelência. É fácil não acreditar nele, mas percebe como poucos o modus operandi da real politics. Os anos de parlamentar - que fizeram dele um bom orador - contribuem para que se saia quase sempre bem nos debates e entrevistas. Se não pelo conteúdo, pela forma.


A velha escola. A política como ela já não é e não necessariamente melhor, só menos espectacular. Manuela aparenta ser aquilo não é, porque simplesmente nenhum político é tão puro, tão sincero e tão sério como ela quer que os eleitores acreditem. Não lhe faltarão ideias, falta-lhe apenas outro penteado, porque um bom cabelo faz toda a diferença.


O comunista. A figura do povo, o homem que cativa mais simpatia do que votos. O que lhe sobra em sonho – porque o mundo não é como Marx e Lenine o desenharam – falta-lhe em realismo. Será sempre igual a si próprio, como o partido que lidera. Se fosse diferente não seria PC.


O iluminado. A esquerda progressista e o dilema: Louçã sabe que o seu eleitorado está prestes a “pedir” mais do que ideias bonitas. Para o bem e para o mal, o futuro do Bloco passará sempre, a médio prazo, por uma experiência governativa. Vicissitudes de se ser um partido doutrinário e não ideológico.


A “Maria vai com todas”. Ele sabe que a sua margem de crescimento será sempre diminuta. Um país em crise, não vota direita. Um país em crescimento, não quer saber de alternativas ao “centrão”. Portas é o CDS e o CDS é tão vazio que dá-se bem em qualquer clima.

Bricolage

Estava aqui na minha sessão de bricolage bloguistica e lembrei-me de resgatar alguns dos headers que fizeram a história deste blog. Não tenho todos, mas a grande maioria ainda resiste à passagem do tempo. São mais de três anos de blog contados em imagens.

2006

2006

2007
2007
2008

2009

4 de setembro de 2009

Planos para o fim-de-semana?

Está tudo aqui.

As saudades que eu tinha disto...

Fazer televisão é muito giro, mas do que eu gosto mesmo é de escrever. Esta fez capa da revista Vida, suplemento do semanário O País, um jornal do grupo. É clicar nas imagens para ampliar, é clicar para ampliar, é clicar... é isso.








31 de agosto de 2009

Como uma família

Tive a sorte de crescer numa família no clássico sentido do termo. Longe das novas configurações, fiz-me homem numa casa com uma mãe, um pai e um irmão. Também tive cães, gatos, pássaros e peixinhos.

Como em todas as famílias tradicionais (à moda antiga, se preferirem) fiz parte, como protagonista, integrante ou espectador, de episódios mais ou menos agradáveis. Vi os meus pais particularmente felizes, ou inversamente chateados. Ficaram zangados comigo, embora em número inferior às vezes em que os soube orgulhosos.

Não sei se estas vivências terão feito de mim uma pessoa mais feliz. Tenho a certeza que fizeram de mim aquilo que eu sou.

Sei também que nunca aceitarei menos do que aquilo que os meus pais simbolizam: um casal feliz, que ao fim de quase 30 anos de casamento continua sem acusar o peso de três décadas a partilhar tudo, do essencial ao acessório.

Assumo hoje que serei sempre muito exigente comigo próprio, com a pessoa que estiver ao meu lado e com o que isso representar. É pelos meus pais que me comprometo a ser mais do que um aluno "satisfaz" na escola da vida a dois. Reconheço que isso significará dissabores: não é fácil encontrar quem fale exactamente a nossa língua.

Não me tenho por ingénuo ao ponto de achar que casamentos e relações são [sempre] para sempre. Mas sou assertivo o suficiente para entender que enquanto duram devem ser levados a sério, fora e dentro deles.

Contas e férias separadas não entram na minha escala de valores. Tentar ser feliz com alguém implica abnegação e disponibilidade. Depende da capacidade de aceitar dar o mesmo que se espera receber. Quem me quiser terá de querer dividir mais do que a cama e a Tv Cabo. Sonhos, projectos, alegrias e frustrações também serão partilhados.

Posso passar muito tempo sozinho - todo um tempo futuro, talvez - mas não aceitarei nunca ser metade de mim, só porque alguém não me quer por inteiro.

Este texto é uma homenagem aos meus pais e ao que de mais valioso - sem darem por isso - me ensinaram. Obrigado a eles.

30 de agosto de 2009

Um ano disto (revisto)

Há um ano por esta hora (são 11:20) estava eu às voltas na minha nova casa a tentar perceber o porquê de não ter água quente. O meu quarto cheirava a mofo, não tinha cabides no guarda-fatos, nem gavetas onde guardar as coisas. À data, andava longe de imaginar a importância que a água, quente ou fria, teria na minha vida.

São 365 dias de poeira, engarrafamento e surpresas, boas e más. De ensinamentos e aprendizagens. Cinquenta e duas semanas de novos protagonistas. Doze meses de partidas e chegadas, de ilusões e desilusões, alegrias e tristezas, entusiasmos e frustrações.

Um ano de Angola foi também um ano sem lugares comuns. Para o bem e para o mal, quase tudo foi novidade.

Entre relatos emocionados e desabafos entristecidos, fiz novos amigos e já perdi uns quantos. Também perdi peso e voltei a ganhar parte dele. Ri, chorei e voltei a rir, desta vez de mim próprio. Agradeci a oportunidade e arrependi-me de a ter aceitado. Apaixonei-me, detestei-me por isso e orgulhei-me por ter insistido. Perdi-me em musseques, fiquei sem gasolina no meio da estrada e com o carro avariado no puro gueto. Exagerei nas misturas e os meus intestinos cobraram-me a ousadia. Comi funge, calulu, peixe seco, maboques, múcua e kisangua. Bebi maruvu e rebentei uma garrafa no colo. Sentei-me no passeio com uma lata de Cuca na mão. Sentei-me na piscina com uma grade inteira. Vi teatro, exposições, dança e concertos, muitos concertos. Veio cá a Mariza para me lembrar da minha portugalidade e eu disse-lhe que não era preciso, pois por essa altura já tinha percebido que jamais me esqueceria dela. Trabalhei numa sala sem ar condicionado e noutra sem janelas. Fui assaltado e perdi os documentos. Chamei filho da puta a um gajo, sem que ele tivesse ouvido, e fiz questão de abraçar outro sem lhe explicar porquê. Arranjei uma cadela e fui chamado à atenção por o ter feito. Dormi sozinho, dormi acompanhado, beijei e fiz amor. Fiz também outras coisas das quais não posso falar aqui.

Há um ano por esta hora (é meio-dia) estava a sair para almoçar num restaurante chamado Paradyse. Fui do céu ao inferno até sossegar no sítio onde está a virtude. Estou há um ano em Angola e até parece que já fiz muitas coisas. Eu acho que me limitei a viver. Mas foi um ano em cheio.

26 de agosto de 2009

Das relações que se resolvem nos blogs

Tenho dois amigos que resolveram fazer dos seus blogs um muro das lamentações e agora ocupam-se a mandar recados para um lado e para o outro. Os blogs são um belo sítio para se dizer uma série de coisas. Dificilmente serão o spot ideal para falar de relações que vão de mal a pior. Uma vez que o ditado "entre marido e a mulher..." foi à vida, levado pela publicidade gratuita feita à discórdia, vou-me mesmo meter ao barulho. Se não gostam, tivessem tratado dos vossos problemas num sítio que não a internet, para toda a gente ler e... comentar!

Estes meus amigos apaixonaram-se e, como sempre acontece quando as pessoas se apaixonam, achavam que o mundo é um sítio espectacular. No fundo, é como se não houvesse guerra do Iraque, não tivesse existido uma prisão em Guantanamo e o 11 de Setembro assinalasse apenas a morte de Salvador Allende.

Ora, acontece que – ironia, rapazes – as Torres caíram, o pessoal foi torturado em Cuba e os iraquianos continuam a matar-se na rua. Tudo tão certo como a menstruação vir uma vez por mês e a paixão ser só um estado de espírito.

Como nem um nem outro estão, aparentemente, na puberdade, já se terão apaixonado umas dezenas de vezes ao longo da vida: por uma noite ou uns meses. Porque a experiência é uma óptima conselheira, deveriam saber que a paixão acaba e que as grandes decisões, aquelas para a vida, não se tomam antes do seu fim.

Não foi isso que fizeram.

Entretidos, iludidos e aparvalhados pelo admirável mundo, tão perfeito que nem o Louis Armstrong chegou tão longe, acharam que “ia ser para sempre” e escreveram e disseram um ao outro coisas de que agora devem ter vergonha. Eu teria, pelo menos.

Ao que parece, uns escassos seis meses terão bastado para perceberem que “desculpa lá, não dá”. Nada de novo ou especialmente grave, não estivessem, desde há 15 dias, a viver debaixo do mesmo tecto. Foram espertos, portanto. Primeiro compraram os móveis, depois descobriram que “têm objectivos diferentes”.

Eu acho que eles são umas bestas. Ele, porque já não é nenhum garoto e devia saber que o que fica é o etéreo e não o material que tanto persegue. Diz que vive para o trabalho, mas vai mudar de opinião no dia em que partir uma perna. Não será um “filho da puta”, só um bocado cabrão. Além de que precisa de aprender a respeitar as outras pessoas. Não é elegante gingar com a vida dos outros e torna-los parte da nossa se o que queremos é só entretenimento. Ela, porque é ainda mais velha e só por efeito de drogas a acho capaz de se deixar levar de forma tão ingénua.

Este é o problema da paixão: é passageira. Este é o vosso problema: precipitaram-se. E esta é a vossa solução: vendam o recheio da casa no e-bay.

25 de agosto de 2009

Provavelmente não foi a melhor primeira abordagem. Apesar de ter uma leitura fácil, No Teu Deserto, de Miguel Sousa Tavares, não me convenceu nem um pouco. Tive sempre a sensação de estar perante uma obra pouco consistente, com demasiadas pontas soltas. Não Miguel, assim não. Volto a ti noutra altura, prometo.

É sempre bom receber notícias de casa:

"Agentes da PSP foram recebidos hoje de madrugada «com pedradas e um cocktail molotov» na Praceta 25 de Abril, nas imediações da Quinta da Princesa, Seixal, onde acabaram por trocar tiros com os desordeiros.

De acordo com aquela força de segurança, uma primeira patrulha chegou ao local pouco depois das 02:30, hora em que foi dado um alerta sobre um incêndio em duas viaturas, mas, «perante o grau de violência» com que foram recebidos, «foram de imediato deslocados reforços para controlar a situação».

A polícia afirmou que, devido à sua presença, os desordeiros fugiram para dentro do bairro, tendo «disparado tiros e atirado cocktails molotov em número indeterminado» contra os agentes presentes.

Segundo a PSP, a sua resposta foi «proporcional»."
(Diário Digital)

Para que se note, eu não moro na Quinta da Princesa, só no Seixal.