31 de dezembro de 2009
2009
E Obama ganhou. Barack, que pelo meio até é Osama (onde é que ele anda?), chegou, sempre chegou, à Casa Branca e desde então, como se já não fosse assim antes, o mundo segue-lhe os passos e espera que o milagre aconteça. Obama é homem, afinal.
Quem é homem e isso faz dele um afortunado: Ronaldo, o nosso Cristiano. Mudou de país, nem tanto de vida. Elas foram vê-lo ao estádio, e eles não o deixaram vir à Selecção.
A Selecção lá vai ao Mundial e tem melhor sorte que a silenciada selecção de notícias de Moura Guedes à sexta-feira.
Para sempre calou-se Jackson. Depois de morto, continua a facturar, como terá facturado, em vida, um certo administrador, de um certo banco.
Na factura da farmácia, muitas Aspirinas para amenizar a dor de cabeça dos que ficaram sem emprego à custa da praga "crise".
Que se lixe! Meto-te uns cornos e mando-te calar. E se não sabem do que estou a falar, peguem no Magalhães do vosso filho e vão ao You Tube ver o vídeo.
Pesquisem também por Copenhaga, BPN (ou Banco Privado Português), G20, Susan Boyle, escutas a Belém e até Caim. Santinho.
Quem é homem e isso faz dele um afortunado: Ronaldo, o nosso Cristiano. Mudou de país, nem tanto de vida. Elas foram vê-lo ao estádio, e eles não o deixaram vir à Selecção.
A Selecção lá vai ao Mundial e tem melhor sorte que a silenciada selecção de notícias de Moura Guedes à sexta-feira.
Para sempre calou-se Jackson. Depois de morto, continua a facturar, como terá facturado, em vida, um certo administrador, de um certo banco.
Na factura da farmácia, muitas Aspirinas para amenizar a dor de cabeça dos que ficaram sem emprego à custa da praga "crise".
Que se lixe! Meto-te uns cornos e mando-te calar. E se não sabem do que estou a falar, peguem no Magalhães do vosso filho e vão ao You Tube ver o vídeo.
Pesquisem também por Copenhaga, BPN (ou Banco Privado Português), G20, Susan Boyle, escutas a Belém e até Caim. Santinho.
28 de dezembro de 2009
Road to the world cup
A ligação é de toda a justiça. O João Fontes, com quem partilhei longas horas de reportagem pelas ruas de Luanda (ou nas infinitas estradas de Angola), o Tiago Carrasco, jornalista, e o João Henriques, fotógrafo, têm em mãos um extraordinário projecto.Os três propõem-se a percorrer o continente africano, de Marrocos à África do Sul, ao encontro das tradições de cada povo e de cada país do grande continente. O mote é o Campeonato Mundial da África do Sul e a ‘redondinha’, que levarão com eles, o elemento de união entre cada paragem do roteiro.
Além da ousadia da ideia, o mais notável é a ingenuidade com que se lançaram à demanda. Uma ingenuidade que só consegue quem realmente acredita naquilo que persegue.
Aos primeiros dias de 2010, o João, o Tiago e o outro João vão começar a viagem das suas vidas. A epopeia vai ecoar pela imprensa – resultará depois num documentário – e pode ser acompanhada no blog criado para o efeito.
Aos três – e ao Fontes, em especial, pela amizade que nos une – que Joanesburgo não seja, como não será, uma miragem. Ide e conquistai. Ide e conquistai.
24 de dezembro de 2009
Iniciação ao crime fiscal
Era eu e sete mulheres. Arredámos as mesas e estávamos sentados numa roda imperfeita, a falar sobre a vida. Sobre a vida delas, muito mais do que sobre a minha. Não lhes perguntei como é que ali foram parar, mas elas, uma após a outra, contaram-me, quase com detalhe, o enredo que as fez ter as paredes cor-de-rosa do pavilhão dois como confidente. As 'estórias' são muitas, mas a história é só uma: todas fizeram merda em algum momento da vida.
Furtos e tráfico de droga. No essencial é isto.
Mais tarde chegou ao grupo uma outra mulher. Talvez 50 anos. Apresentou-se (ou apresentaram-na, já não me recordo). Jurista. Fez merda, como as outras. Roubou euros, só que com muitos zeros. Uma coisa em grande, portanto.
Não falou (ou voltou a falar) durante o encontro. Terminámos a reunião e marcámos encontro para daí por quinze dias. “Tragam ideias”. Estava dado o mote.
A jurista chamou-me. Tinha uma ideia. Sentou-se comigo numa mesa à parte e falou. Horas a fio. Contou-me o que queria contar, o que devia contar e o que era preferivel ter guardado para si. Despudoradamente, revelou as suas mais epopeicas façanhas no mundo do crime. Esquemas e mentiras, todas ali, reveladas ao pormenor, não fosse eu querer fazer igual.
Durante o fim de tarde e até ao toque para a contagem, fui aluno de um curso rápido de iniciação ao crime fiscal. No final, num último suspiro, já de pé, a caminho da porta da biblioteca, virou-se para trás e acrescentou: “Não imagina como estou arrependida do que andei a fazer. Felizmente, tenho muito tempo para pensar no assunto”.
Naquela tarde aprendi duas coisas: a) É muito fácil enganar o Estado; b) Nunca é tarde para recomeçar.
Recomecem agora, se for caso disso. Boas Festas.
Furtos e tráfico de droga. No essencial é isto.
Mais tarde chegou ao grupo uma outra mulher. Talvez 50 anos. Apresentou-se (ou apresentaram-na, já não me recordo). Jurista. Fez merda, como as outras. Roubou euros, só que com muitos zeros. Uma coisa em grande, portanto.
Não falou (ou voltou a falar) durante o encontro. Terminámos a reunião e marcámos encontro para daí por quinze dias. “Tragam ideias”. Estava dado o mote.
A jurista chamou-me. Tinha uma ideia. Sentou-se comigo numa mesa à parte e falou. Horas a fio. Contou-me o que queria contar, o que devia contar e o que era preferivel ter guardado para si. Despudoradamente, revelou as suas mais epopeicas façanhas no mundo do crime. Esquemas e mentiras, todas ali, reveladas ao pormenor, não fosse eu querer fazer igual.
Durante o fim de tarde e até ao toque para a contagem, fui aluno de um curso rápido de iniciação ao crime fiscal. No final, num último suspiro, já de pé, a caminho da porta da biblioteca, virou-se para trás e acrescentou: “Não imagina como estou arrependida do que andei a fazer. Felizmente, tenho muito tempo para pensar no assunto”.
Naquela tarde aprendi duas coisas: a) É muito fácil enganar o Estado; b) Nunca é tarde para recomeçar.
Recomecem agora, se for caso disso. Boas Festas.
22 de dezembro de 2009
18 de dezembro de 2009
Alterações climáticas
Nem sei como dizer isto, mas a verdade é que estou na Assomada, a uma hora da Praia e estou cheio, CHEIO, de frio. Estão 12 graus, um vento infernal e o céu está carregado de nuvens. Não para isto que eu vim para África. Não foi.
Sendo assim, espero bem que se deixem de merdas em Copenhaga, ou vou ficar sem sítio para viver. Merda.
Sendo assim, espero bem que se deixem de merdas em Copenhaga, ou vou ficar sem sítio para viver. Merda.
15 de dezembro de 2009
O nada que tanto escrevo
Tenho escrito muito sobre economia, isso deixou-me a cabeça cheia de números. Tenho escrito muito sobre política, isso deixou-me a cabeça cheia de perguntas. Tenho estado muitas horas, muitos dias, no Parlamento, isso deixou-me a cabeça cheia de corredores, e escadas e portas abertas e portas fechadas e portas que, fechadas, se abrem.
Tenho escrito muito sobre muitas coisas. A maior parte das coisas que escrevo, não chegam, sequer ao papel. Estão na minha cabeça. Tomo banho e escrevo. Vou a pé para a redacção, escrevo. Tomo o pequeno-almoço, escrevo. Café, escrevo.
Claro, não escrevo assim tanto. Não escrevo tanto assim, mas quase.
Eu escrevo, oiço o que se diz sobre o que escrevi e continuo a escrever.
Escrevo tanto e, afinal, não escrevo nada daquilo que queria escrever. Aqui.
Tenho escrito muito sobre muitas coisas. A maior parte das coisas que escrevo, não chegam, sequer ao papel. Estão na minha cabeça. Tomo banho e escrevo. Vou a pé para a redacção, escrevo. Tomo o pequeno-almoço, escrevo. Café, escrevo.
Claro, não escrevo assim tanto. Não escrevo tanto assim, mas quase.
Eu escrevo, oiço o que se diz sobre o que escrevi e continuo a escrever.
Escrevo tanto e, afinal, não escrevo nada daquilo que queria escrever. Aqui.
13 de dezembro de 2009
O meu pai, esse buda
E pronto, o meu pai chegou a velho e endoideceu. Como se já não bastasse saber tudo sobre ervas aromáticas e plantas medicinais, agora decidiu, acabei de saber, fazer um curso de meditação. Mas anda a ler um livro? Perguntei à minha mãe - coitada dela, sozinha a aturar isto. Não! Inscreveu-se na União Budista Portuguesa.
Chamei-o à conversa e o próprio confessou o desvario. "Ainda não cheguei ao Nirvana, mas vou conseguir", é a frase que marcará para sempre o ponto de viragem na minha relação com o meu progenitor.
Não sei bem o que é que vai sair dali, mas temo que da próxima vez que vá a Portugal seja recebido por alguém de cabeça rapada, com uma veste monástica, cor açafrão. Farei os possíveis para o acolher de braços abertos, mais não seja para o agarrar com força e dar-lhe a medicação.
Pai, descansa. Vou-te arranjar um neto para teres com que te ocupar.
Chamei-o à conversa e o próprio confessou o desvario. "Ainda não cheguei ao Nirvana, mas vou conseguir", é a frase que marcará para sempre o ponto de viragem na minha relação com o meu progenitor.
Não sei bem o que é que vai sair dali, mas temo que da próxima vez que vá a Portugal seja recebido por alguém de cabeça rapada, com uma veste monástica, cor açafrão. Farei os possíveis para o acolher de braços abertos, mais não seja para o agarrar com força e dar-lhe a medicação.
Pai, descansa. Vou-te arranjar um neto para teres com que te ocupar.
11 de dezembro de 2009
10 de dezembro de 2009
Está desfeito o mistério
Afinal, contra todas as expectativas, não tenho um filho. A carta do tribunal é para me arrolar como testemunha num processo de 1934 (ou quase). Desiludam-se aqueles que já me imaginavam a passear o Tobias pela trela, nas ruas da Praia.
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