23 de abril de 2008

Uma espécie de ode ao livro


Debaixo do braço, enquanto se caminha. Aberto, enquanto se viaja. Dentro da mala, enquanto se corre contra o tempo.

Há quem o tenha na cabeceira e há os que nunca o tiram da estante. Muitos despediram-se dele quando deixaram a escola e outros não vivem sem a sua companhia.

O livro, esse companheiro de viagem, tem hoje um dia só dele, como se o eterno objecto, que condensa palavras, frases e parágrafos, em páginas imprensas, cozidas, coladas, amarelecidas pelo tempo que passa, precisasse de um dia para ser o Ser maior.

O Dia Mundial do Livro, instituído pela Unesco, que é quem percebe destas coisas dos dias de tudo e mais alguma coisa, é um memorando para o entendimento da importância de o ter e de o ler.

Num país onde quem lê, não lê, recordar que ler faz bem é tão pertinente quanto habitual.

Quebre-se, pois, a rotina dos avisos dos alertas, dos entendimentos e leia-se porque sim, porque é bom, porque ler faz bem, à alma, ao espírito, ao corpo e até ao sono, quando o livro cai, e não reclama, ao fim de um parágrafo mal lido, por entre bocejos de quem não está para aí virado.

Se até Gates, por entre os milhões dos bites e bytes, diz, ao afirmar, que
os seus filhos terão computadores, mas primeiro terão livros, pois que se escute esse tal de Wilde, para quem não há livros morais nem imorais. O que há são livros bem escritos ou mal escritos. Mas que se leia, que se leiam livros, na demanda de uma moral, mesmo que ignóbil.

Que se leia e que se leia já.

3 comentários:

Orangina disse...

Muito bem...os livros são a minha grande companhia nas aborrecidas viagens de comboio matinais...Obrigada a esse grande amigo...o livro!!!

António Raminhos disse...

Bonito pá!

AR

www.antonioraminhos.blogspot.com

gralha disse...

Faço minhas as suas belíssimas palavras.

beijinhos