10 de Dezembro de 2009

Está desfeito o mistério

Afinal, contra todas as expectativas, não tenho um filho. A carta do tribunal é para me arrolar como testemunha num processo de 1934 (ou quase). Desiludam-se aqueles que já me imaginavam a passear o Tobias pela trela, nas ruas da Praia.

6 de Dezembro de 2009

Déjà vu

Não sei porquê, mas sempre que chego a um novo país para trabalhar acabo por tirar um foto igual a esta:
Observem como em Angola eu já estava de boca aberta...
... embora tivesse mais roupinha no corpo.

4 de Dezembro de 2009

E pronto, tenho um filho

Quer dizer, devo ter. Afinal, que outra justificação pode haver para o meu pai ter recebido uma notificação dos Correios para levantar uma carta em meu nome do Tribunal de Família e Menores?

Estava capaz de jurar que nunca fiz um filho a nenhuma das mulheres com quem mantive relações, mas pelos vistos a imprevisibilidade do cosmos reserva surpresas a cada esquina. Muito curioso, tudo isto.

Só não percebo porque é que a mulher que pariu o meu macaquinho não me disse nada sobre a concepção. Chiça, eu tive o cuidado de deixar o meu número de telemóvel a todas elas.

Além disso, tendo em conta que tenho sido particularmente fiel à minha mulher actual, o sujeito deve ser um matulão. Só espero que não se chame Tobias.

1 de Dezembro de 2009

[ele] Diz que há petróleo em Cabo Verde

O jornal on-line Nha Terra publica hoje uma entrevista ao cabo-verdiano Odmir Teixeira. O homem garante a pés juntos que há petróleo no país, porque viu "algo na areia com pequeninas bolhas".

Está aqui um excerto da entrevista, que pode ser lida neste site. É um grande momento.

Quando, onde e como começou a procurar as provas?

Foi num dia em Fevereiro de 1998, saí de casa rumo a João d' Évora, Salamansa e Praia Grande. Quando cheguei na praia de João d' Évora, a maré estava baixa, muito baixa, pelo que decidí caminhar a beira do mar. A certo ponto de salto a salto, de pedra em pedra ví algo na areia com pequeninas bolhas.

Parei, ajoelhei e comecei a bater com a palma da mão direita no chão por segundos, parei e passado agluns segundos as bolhas reasurgiram um pouco mais alto, pelo que depois tomou a normaidade anterior. Repeti esta operação tres vezes e da última vez cheirei o chão e cheirava petróleo puro.


Quais foram as suas reações no momento?

Procurei numa pequenina praia próximo do local e encontrei algumas garrafas de plástico, enchi três garrafas daquela areia com água do mar e segui o meu caminho. Cheguei em Salamansa, como não tinha levado comigo ferramenta alguma, desisti de procurar o que tinha ido a procura, regressei à casa todo contente.

Quando cheguei a casa chamei duas irmãs e uma sobrinha para lhes dar a notícia, pois não conseguia aguentar aquilo tudo sozinho.

Porém, mal saí elas telefonaram a uma terceira irmã que reside em Holanda, dizendo-lhe que estavam preocupadas porque talvez estivesse dando sintomas de problemas mentais. Depois disto, de vez em quando, eu comentava sobre isso, mas eu era ignorado.


Que medidas que tomou?

Como cidadão canadiáno, regressei ao Canadá no dia 15 de Maio de 1998 e levei as três amostras -- garrafas com a areia e água do mar --, para serem submetidas a análises laboratoriais, para ter confirmação ciêntifica da minha descoberta.

29 de Novembro de 2009

E se não é a minha Lena muito querida...

Olhem-me só para esta miúda, que é o orgulho do pai! A rapariga esteve comigo em Angola. Na altura não se depilava, mas agora está com muito bom aspecto e até já faz capas de revista. E pensar que vivemos juntos. Faz favor de ler o artigo.

28 de Novembro de 2009

Mãe, não vais gostar disto:

Há uma série de verdades descobertas ou reconfirmadas depois de quinze dias em Cabo Verde. De todas, a mais crua é a de que o clima quente de África convida mesmo à cerveja.

Não consigo quantificar quantas cervejas é que já bebi desde que cá cheguei, mas como tenho a certeza de que o meu fígado anda a fazer as contas, um dia destes pergunto-lhe. Já experimentei a nacional, Strella - ligeiramente salgada - e a portuguesa Super Bock. É um consolo. Aquela coisinha gelada a escorregar pela garganta, hummmmm. Tão bom, tão bom, tão bom, que só tenho noção de mim próprio até à terceira do dia. Daí por diante, sejam dez ou vinte, who cares?

Presumo, mãe, que ainda não perdi o equilíbrio vez nenhuma, mas é provável que um dia precise de amparo para chegar a casa. Não te preocupes, as pessoas aqui são muito prestáveis.

Pena que tenha feito um contrato de arrendamento por um ano. Devo morrer antes disso: "Aqui jaz Nuno Andrade Ferreira, morreu novo, no dia em que o fígado lhe saiu no cocó".

21 de Novembro de 2009

Contra a dengue... gritai, gritai

A campanha do Governo cabo-verdiano contra a Dengue não pára. Hoje de manhã, estava eu a montar uma mesinha de cabeceira - banquinha, como se diz por aqui - quando um camião decidiu estacionar no largo em frente à minha casa, ligar a gigantesca aparelhagem sonora que trazia no atrelado e debitar ruído durante uma hora inteirinha. Ouviu-se no bairro inteiro e sentiu-se no meu segundo andar. Aquilo eram vidros a vibrar, a porta a estremecer e sei lá mais o quê. Foram 60 minutos de uma gravação bilingue, com todo o tipo de conselhos para a humanidade.

Têm razão, comparado com o que se passou entre as 10 e as 11 o grilo defunto não incomodava ninguém. Assim os mosquitos vão desaparecer... de susto!

20 de Novembro de 2009

A minha casa é um zoo


Vivo num jardim zoológico. Dormi três noites na minha nova casa e em três noites tive que aturar o desatino vocal de outros tantos bichos. Primeira noite: Um cão a ladrar durante horas a fio. Segunda noite: Um galo a cantar a partir das quatro da manhã. Terceira noite: um grilo na casa de banho. Sim, leram bem. Tinha um grilo dentro de casa, no wc, que cantou a noite toda.

O mais curioso de tudo isto é que tenho a casa (que é grande) vazia. Resultado, o barulho do grilo ecoou durante intermináveis horas pelas paredes despidas, repetindo-se até à exaustão. Acontece que eu só descobri o dito insecto hoje de manhã, quando o sujeito se decidiu a passear pelo tapete em frente à banheira. Depois do espectáculo da noite, devia estar a ir para casa dormir, o cabrão! Matei-o, claro. Matei-o e deixei-o num lugar bem visível, para os amigos perceberem o que lhes espera, assim decidam tentar a sua sorte.

Portanto, como vivo na FarmVille do Facebook, estou à espera que esta noite uma vaca me bata à porta para eu a ordenhar.

14 de Novembro de 2009

A Casa

Depois de 3 (ou quatro?) dias em Cabo Verde, já tenho casa. Consegui alugar um apartamento muito jeitoso, a cinco minutos do trabalho. A ideia era mesmo essa: uma casa que, mesmo um pouco mais cara, me permitisse ir de casa para o trabalho e do trabalho para casa sem grandes complicações. Ainda que a cidade tenha uma rede relativamente organizada de transportes públicos (10 - 0 a Luanda), é sempre mais económico fazer as deslocações diárias a pé. Assim, consigo ir almoçar a casa e tudo. Para além do mais estou rodeado de sítios importantes: embaixadas (Estados Unidos e Portugal logo ali), Assembleia Nacional (onde em breve vou passar muitas horas) e Ministérios. De resto, o apartamento, um belo segundo andar, fica mesmo ao lado dos Negócios Estrangeiros.

Para já, a casa está vazia. Mudo-me, provavelmente, na segunda ou terça-feira, assim que comprar a cama. Vou faze-lo por um bom preço. Para já, as prioridades são o quarto e a cozinha. A sala ficará para outras núpcias.

"Não fui eu que disse isso"*

Todos os dias de manhã, assim que acordo, vou à casa de banho. Lavo a cara e olho-me ao espelho. Quer dizer, olho-me ao espelho assim que entro na casa de banho, até porque o lavatório está exactamente em frente à porta e não há como escapar. Bem, mas essa primeira vez não interessa nada, até porque não me presto grande atenção. O que é realmente importante é o que acontece depois de lavar a cara. Dou por mim a conversar com o meu próprio reflexo. Eu sei, isto parece conversa de doidos, mas poucas vezes estive tão certo duma frase como estou desta: Eu falo comigo, no espelho da minha casa de banho e, contudo, não sou eu que digo as coisas que costumo ouvir dizer.

Todas as manhãs, sem uma única excepção, aquele sujeito que está do outro lado do espelho - e que sou eu ou alguém muito parecido comigo - diz-me coisas que ou me envergonham, ou enaltecem. Na maior parte dos dias costumo ouvi-lo - ou ouvir-me, pelos vistos - dizer coisas sem qualquer sentido lógico, para a minha lógica imediata. Demoro sempre algum tempo a desmontar o que está subjacente àquelas conversas que mantenho com o meu reflexo, que não sou eu.

Quando me compreendo, acabo sempre, invariavelmente, por me dar razão.


*O mote desta semana é uma proposta dela, com participação dele.

11 de Novembro de 2009

Primeiras impressões de Cabo Verde

E pronto, é isto. Parece que estou mesmo em Cabo Verde, sentado na secretária que vai ser minha nos próximos tempos. Porque não há nada como começar logo pela fresca, apanharam-me cedo na pensão onde passei a noite e daqui a pouco tenho a minha primeira saída. É o back to basics de que eu sentia saudades. Começou, entretanto, a busca por uma casa. Nem muito cara, nem muito longe. Poderá ser difícil conciliar as duas coisas. O jornal fica numa das zonas novas da cidade, mesmo ao lado da Assembleia Nacional e as rendas são tendencialmente caras. Será, portanto, uma questão de opção: uma casa um pouco mais cara, mas melhor, ao lado do emprego; ou uma casa mais barata, mais longe e talvez mais velha.

As primeiras impressões são positivas. Definitivamente, a Praia não tem nada a ver com Luanda. Tem o inevitável movimento de uma capital, mas está longe do fim do mundo em cuecas da sua congénere angolana.

Entretanto, já arranjei a minha primeira fonte: o recepcionista da residencial, o mesmo que me perguntou, para início de conversa, se eu gosto "de meninas".

Mais, em breve.