25 de dezembro de 2012

Volúpia


E no final fica assim, deitada, de lado, corpo despido, apenas parte das pernas tapadas com a colcha. Virada de costas para ele e de frente para a janela, olhando a rua e esperando um abraço não demasiado apertado ou excessivamente longo. Apenas a mão por alguns segundos em cima da sua barriga, subindo depois numa carícia até ao peito nu, apertando-lhe um dos seios.

É como se ainda o sentisse dentro dela. O seu sexo continua húmido e quente, latejando de desejo, mas agora de uma vontade consumada. Um fio do prazer dele escorre-lhe pela coxa e acabará por cair no lençol. 

Fumasse, fumaria agora um cigarro, entregue à volúpia do momento. Quem a vê com o este ar doce, olhos semi-cerrados, não imagina que, não há muito tempo, o seu corpo esteve entregue a uma transe de gemidos e gritos e palavrões e expressões faciais.

Da viagem recente ao Mali, trouxera um CD de Salif Keita. Foi então ao som do pouco condizente Madan que tudo se passou. E o que se passou foram gestos largos, posições de momento, pedidos de "mais forte", "tudo, tudo", "agarra-me", "puxa-me o cabelo", "o rabo, o rabo" e um expressivo "ohhhh foda-se, estou-me a vir" final, a duas vozes. 

Para ela, o sexo deveria ser sempre assim, com foi o de hoje. Preliminares - muito importantes - demorados, de preferência num lugar inesperado. Despida peça a peça, roupa espalhada pela casa, apalpada contra a parede, em movimentos descoordenados pela tesão. E então atirada contra a cama, "come-me agora". 

O seu sexo não tem hora marcada. Também não tem proibições prévias. Entrega-se e espera que desse acto de confiança resultem orgasmos, de preferência muitos e de preferência vários seguidos. 


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