13 de novembro de 2007

Chavez, Juan Carlos, a democracia e nós próprios


Se Hugo Chavez dissesse de Durão Barroso o que disse de Aznar, Cavaco diria a Chavez o mesmo que disse Juan Carlos? Sinceramente, não tenho a certeza.

Recordo-me da forma como Cavaco defendia Portugal em Bruxelas, no seu tempo de Primeiro. Eramos, recordem-se, o "bom aluno". Lá nisso a Polónia soube fazer a coisa. Na União há 3 anos e já levanta a crista, como se fosse fundadora da ideia de Europa comunitária.

Gosto de políticos que "os" tenham no sítio. Gostei de ver o rei a defender o seu ex-governante (por ele nomeado, de resto). Discorde-se de tudo, preserve-se a dignidade.

Juan Carlos disse a Chavez aquilo que o mundo queria ouvir. Louco, tão louco como Bush, que tanto gosta de criticar, Chavez apoderou-se de mais do que do Poder. Fez-se dono de um Estado, que usa como palco no seu Late Night Show. Chavez é rídiculo, como são todos os ditadores. O problema dele (e dos outros, também) é que usa o povo como personagem da telenovela que realiza sem guião.

A soberba de achar que um país, a sua história, as suas gentes, cabem em 100kg de carne humana é tão redutora, quanto inquietante. Achamos piada às suas loucuras, rimo-nos do aspecto de cartoon. Ignoramos, por entre graçolas, que aquele homem é um ditador como Fidel, como Mugabe. São iguais, não pelos que matam, mas pelos que calam. A morte apaga o corpo, a censura enclausura o pensamento e não há nada mais perturbador do que uma vida pela metade.

Ditadores da categoria "palerma", como Chavez, não são um perigo para o Mundo. São perigosos para quem depende da arbitrariedade dos actos de sujeitos que se acham donos da suprema razão.

Contudo, o Mundo precisa de tiranos. Precisamos de gente mesquinha, capaz de se perpetuar no poder, pelo sinples gosto de ocupar o trono. Gente que cai no rídiculo. Precisamos de Chavez, de Fidel, de Mugabe, e de Mahmoud Ahmadinejad, também da China e do Alberto João. São eles que nos fazem valorizar viver num sítio onde podemos mandar as convenções às urtigas e virar o cu ao Governo. Sem eles seriamos ainda mais passivos e a lógica democrática estaria condenada a desaguar em qualquer coisa pior.


4 comentários:

orangina disse...

Muito bem!!!

O Chavez devia era calar-se de vez, mas uma coisa te digo, quem vota neles é que tem culpa!

gralha disse...

clap clap clap!

Mas mesmo assim gostava de aproveitar para pedir ao Pai Natal para nos livrar de uns quantos, que já sobejam...

Inesa disse...

Não sei se concordo "que são eles que nos fazem valorizar" o sítio onde vivemos... Acho, ao contrário de ti, que são eles que nos tornam passivos. O facto de existirem legitima o nosso tão conhecido "nivelar por baixo". Em vez de olharmos para o lado e vermos que poderíamos viver muito melhor e sem necessidade "mandar o Gov. às urtiga", olhamos para "baixo" e achamos que nem nos podemos queixar muito porque há gente muito pior que nós.

Tó do Samouco disse...

O que eu vi foi o cabrão do venezuelano a meter o rabo entre as pernas quando os dois espanholitos se viraram contra ele. Só conseguiu responder mais tarde rodeado de jornalistas e à porta de casa.

Tó do Samouco

www.samoucoaorubro.blogspot.com